
Nem mesmo a Quaresma está sendo capaz de conter a alta da carne bovina
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Resumo
A elevação dos preços da carne bovina no Brasil durante a Quaresma, período tradicionalmente marcado por menor consumo, contraria expectativas de alívio no bolso do consumidor, com tendência de novos aumentos nos próximos meses.
A valorização da carne bovina é impulsionada por redução na oferta de animais para abate devido à virada do ciclo pecuário e exportações em alta, enquanto carnes de frango e suína apresentam quedas de preços, tornando-se opções mais acessíveis aos consumidores.
O mercado internacional registra preço recorde da carne bovina brasileira, com o quilo vendido a US$ 5,78 e aumento de 18% em relação ao ano anterior, apesar de leve recuo na média diária de exportações em março de 2026, totalizando 167,06 mil toneladas exportadas no período.
A tradição de não consumir carnes vermelhas no período da Quaresma, neste ano, não está conseguindo ‘segurar’ os preços da carne bovina no Brasil. Normalmente, o período gera um ‘alívio’ ao bolso do consumidor, devido à baixa demanda, mas agora, nem mesmo a baixa procura está contribuindo com a economia de varejo. E a tendência, para os próximos meses, é de mais aumento.
A carne bovina está mais cara em todo o país devido à virada do ciclo pecuário e as exportações em alta. Desde 2025, a disponibilidade de animais prontos para o abate está se reduzindo. No ano passado, os pecuaristas apostaram no abate das vacas, mas agora, elas também estão mais escassas. As exportações, porém, continuam em alta, o que faz o preço, no mercado interno, se manter em alta. Na contramão, proteínas como a carne de frango e de suínos, estão mais baratas no período da Quaresma. Em média, o frango está 6,3% mais barato e a carne suína, 1,5%.
Suínos e frangos mais baratos
De acordo com os técnicos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Usp), o aumento da produção de carne suína acima da capacidade de consumo tem pressionado os valores para baixo. Essa conjuntura mantém as margens dos produtores mais apertadas, especialmente pela pressão dos custos de produção ainda elevados. E, como os produtos típicos do almoço de Páscoa, como o bacalhau também estão muito caros para o poder de compra dos brasilerios, a carne suína é encarada como uma das opções de substituição.
O levantamento do Cepea mostra que, entre os dias 27 de fevereiro e 24 de março, a carcaça casada bovina registrou estabilidade de preços, enquanto as demais proteínas sofreram baixas significativas no atacado: o mercado de frango é o que apresenta a trajetória de queda mais acentuada. O setor reflete uma combinação de oferta abundante nas granjas e uma demanda interna enfraquecida. Como resultado, o frango resfriado acumulou uma desvalorização de 6,35% na parcial de março. Já a carcaça suína teve uma retração de 1,54% no mesmo comparativo.
Carne brasileira valorizada no mercado internacional
No mercado internacional, o preço médio de venda da carne bovina in natura alcançou a marca de US$ 5,78 por quilo nos primeiros 15 dias úteis de março de 2026, o que mostra uma alta de 18% em comparação ao mesmo período do ano passado. É o maior patamar de preço registrado desde outubro de 2022.
Nos primeiros cinco dias úteis do mês, a média diária de embarques foi de 11,99 mil toneladas, um aumento de 5,9% em relação a 2025. Mas, nos 15 dias úteis de março, a média caiu para 11,13 mil toneladas diárias. No período, as exportações totalizaram 167,06 mil toneladas de carne bovina.
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