
Produção de palmito pupunha no Vale do Ribeira
Daniela Otto/Embrapa
O palmito pupunha produzido no Vale do Ribeira, em São Paulo, obteve oficialmente, no fim do ano passado, o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência. A certificação, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), chancela a região como o principal polo produtor e industrial do país. O selo abrange o produto comercializado em haste, processado ou minimamente processado, garantindo valor agregado e rastreabilidade para o setor.
A conquista fortalece a economia local e posiciona a pupunha como a principal ferramenta ecológica para o mercado de palmitos. Diferente de espécies nativas como a Juçara, que morre ao ser cortada, a pupunha oferece um ciclo de colheita rápido e capacidade de rebrota, permitindo uma exploração comercial contínua sem danos ao meio ambiente.
Sustentabilidade e preservação ambiental
Um dos principais méritos da expansão da pupunha é o seu papel na conservação florestal. De acordo com dados da Embrapa, a cultura é a solução estratégica para interromper o extrativismo ilegal da palmeira Juçara (Euterpe edulis), espécie da Mata Atlântica que corre risco de extinção.
Enquanto a Juçara leva anos para atingir o ponto de corte e não sobrevive à colheita, o palmito pupunha (Bactris gasipaes) apresenta características biológicas favoráveis ao produtor rural. A planta possui a capacidade de perfilhamento, ou seja, ela gera novos brotos após o corte da haste principal. Na prática, isso significa que o agricultor pode realizar cortes sucessivos na mesma planta, garantindo uma produção perene e sustentável.
Impacto econômico no Vale do Ribeira
A região do Vale do Ribeira concentra atualmente cerca de 1.200 produtores distribuídos em 7 mil hectares de cultivo. Com aproximadamente 35 milhões de plantas, a atividade gera 10 mil empregos diretos e indiretos na região. Hoje, o palmito pupunha é a segunda maior força econômica do agronegócio local, ficando atrás apenas da bananicultura.

A Indicação Geográfica deve ampliar as oportunidades de exportação, uma vez que o mercado internacional prioriza produtos com certificação de origem e práticas sustentáveis comprovadas. Especialistas do setor avaliam que o reconhecimento também protege o produtor de fraudes e valoriza a identidade territorial do Vale do Ribeira.
Diferenciais do cultivo e manejo
Para o produtor, a viabilidade econômica é acelerada. O ciclo de colheita da pupunha ocorre entre 18 e 24 meses após o plantio, um período considerado curto para culturas perenes. Além da agilidade, a planta é rústica e se adapta bem ao clima tropical úmido de São Paulo e do Paraná.
No estado vizinho, o Paraná, o cultivo já ocupa mais de 3.200 hectares e gera receitas que ultrapassam os R$ 17 milhões após o processamento industrial. Com o novo selo de IG no Vale do Ribeira, a expectativa é que o setor ganhe ainda mais fôlego para modernizar as plantas industriais e diversificar o portfólio de produtos derivados da palmeira.
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