
Brasil corre contra o tempo para fechar acordo na COP30
Foto: Divulgação/COP30
No último dia oficial da COP30, a diplomacia brasileira corre contra o tempo nesta sexta-feira (21) para alinhar um acordo robusto que impeça o fracasso das negociações em Belém, no Pará. O rascunho divulgado durante a madrugada, no site oficial da ONU, desagradou delegações e representantes do terceiro setor que apontaram falta de ambição no texto.
A principal dificuldade é a barreira levantada por países produtores de petróleo sobre o mapa para o abandono dos combustíveis fósseis. O tema é a principal bandeira do governo brasileiro e foi destaque em discursos do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, e de negociadores do país.
Outro ponto com divergência é o mapa para acabar com o desmatamento. O Brasil, a Indonésia e países africanos são os mais interessados no assunto por concentrarem as florestas tropicais do planeta.
APELO POR CONSENSO
Sabendo das dificuldades de um acordo e tentando não estender o calendário inicialmente previsto para as negociações, o presidente da COP30 fez um apelo para que os países se unissem em busca de um consenso. O embaixador André Corrêa do Lago discursou por 15 minutos pedindo que as delegações deixassem as divergências de lado e caminhassem para uma convergência de ideias.
Segundo o diplomata, a divisão entre os países fragiliza o Acordo de Paris e prejudica o cumprimento das metas ambientais. Citando os Estados Unidos, o principal nome da Conferência de Belém disse que a não participação da maior economia do mundo na COP30 não pode representar a ausência de um esforço coletivo para impedir o aquecimento demasiado do globo terrestre.
Ao completar dez anos do Acordo de Paris, em que metas foram estabelecidas para a redução de gases poluentes responsáveis pelo aquecimento global, falta a entrega da revisão de metas climáticas por diferentes nações. Apenas 118 países atualizaram os compromissos entre 196 delegações representadas na COP30.
DIA SEGUINTE AO INCÊNDIO NA COP30
A corrida contra o tempo também se faz necessária por causa da paralisação dos trabalhos ao longo da quinta-feira (20), quando um incêndio atingiu a zona azul da conferência. As chamas foram contidas em seis minutos, mas o trabalho de checagem das instalações terminou no meio da noite e as negociações esfriaram.
Conversas informais durante a madrugada encaminharam alguns acordos e reuniões virtuais foram utilizadas para adiantar alguns temas da carta final da COP30. Mas a sessão plenária que vai decidir os assuntos mais sensíveis acontece com as portas fechadas ao longo desta sexta. Apenas ministros do alto escalão ou chefes de delegações estão autorizados na sala principal da Cúpula do Clima.
PONTOS DE CONSENSO
Alguns pontos que já encontraram um mínimo consenso indicam a inclusão de questões de gênero e racial no documento final. O texto reconhece as diferenças para estes grupos se adaptarem às mudanças climáticas, mas ainda faltam avanços no financiamento das medidas necessárias para a mitigação da emergência climática.
Ainda no tópico financeiro, o rascunho das negociações reconhece a necessidade de triplicar o repasse de recursos para as nações mais vulneráveis. A fonte do dinheiro, no entanto, não foi revelada.
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