Economia

Banco Mundial reduz projeção do PIB do Brasil para 1,6% em 2026

Instituição financeira internacional revisa crescimento da economia brasileira devido aos juros altos e impactos no mercado de petróleo

Da redação
DA REDAÇÃO

08/04/2026 • 16:26 • Atualizado em 08/04/2026 • 16:26

Agropecuária continua como um destaque do crescimento do Brasil

Agropecuária continua como um destaque do crescimento do Brasil

Jaelson Lucas/AEN

O Banco Mundial revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026. A nova estimativa, divulgada nesta quarta-feira (8), aponta uma expansão de 1,6% da economia, ante os 2% previstos em janeiro. O dado faz parte do relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe. O documento detalha os desafios macroeconômicos da região em meio a conflitos internacionais e pressões financeiras domésticas.

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Ao comentar a redução, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, William Maloney, destacou que o cenário interno brasileiro enfrenta obstáculos significativos. Segundo ele, o custo do crédito é um dos principais vilões. "Tem muita preocupação por parte do consumidor com as taxas de juros altíssimas que afetam consumidores endividados", afirmou Maloney em entrevista coletiva. O economista ressaltou que o endividamento das famílias trava o consumo.

Atualmente, o governo federal estuda medidas para mitigar esse impacto. Entre as propostas está o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas de trabalhadores, visando desafogar o orçamento das famílias.

Conflitos globais afetam o agronegócio e a logística

O cenário externo também foi determinante para o rebaixamento da nota brasileira. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã desestabilizou a cadeia produtiva global de energia. A região do Estreito de Ormuz, fundamental para o escoamento de petróleo, enfrenta caos logístico. "Os impactos imediatos da crise são através dos preços de petróleo e do gás", avaliou o economista-chefe.

Para o setor agropecuário, essa instabilidade é crítica. O aumento nos preços dos combustíveis eleva diretamente os custos de logística e produção no campo, pressionando a margem de lucro dos produtores brasileiros.

Destaque para tecnologia na agropecuária

Apesar da revisão negativa no crescimento geral, o Banco Mundial teceu elogios à eficiência do setor produtivo brasileiro. A agricultura de precisão e a produtividade foram citadas como referências mundiais de inovação.

O relatório destacou o papel fundamental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A instituição é reconhecida por levar tecnologia de ponta para "dentro da porteira", garantindo ganhos de eficiência constantes. "A agricultura é uma área, particularmente no Brasil e na Argentina, onde tem altíssima tecnologia e altíssima produtividade", afirmou Maloney. Para o banco, a Embrapa é um exemplo de sucesso na incorporação de ciência e capital humano.

Comparativo de projeções

A projeção de 1,6% do Banco Mundial coloca a instituição em uma posição mais cautelosa que o governo brasileiro. Enquanto o Ministério da Fazenda projeta 2,3% de crescimento, o mercado financeiro (Boletim Focus) estima 1,85%.

No ranking da América Latina, o crescimento brasileiro ocupa a 22ª posição entre 29 países. A lista é liderada pela Guiana, que deve crescer 16,3% impulsionada pela exploração de petróleo na Margem Equatorial.