
Estreito de Ormuz, no Irã
REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo/File Photo
Dados de plataformas de monitoramento de tráfego marítimo indicam que apenas 16 petroleiros carregados com petróleo deixaram o Irã pelo Estreito de Ormuz nos últimos 21 dias, desde o início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o país persa.
Os números foram divulgados pela plataforma TankerTrackers, especializada no rastreamento de navios-tanque. Além dos 16 petroleiros que já zarparam, o serviço informa que outros seis navios estão totalmente carregados em portos iranianos, prontos para partir, mas ainda sem data de saída registrada.
Monitoramento desmente boatos de bloqueio total
Em nota, a TankerTrackers também contestou informações que circularam nesta sexta-feira afirmando que nenhum petroleiro carregado havia navegado pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas. A plataforma classificou essa versão como falsa e reforçou que há tráfego, ainda que em volume bem abaixo do habitual.
Outro serviço de rastreamento, o MarineTraffic, aponta quadro semelhante. Segundo a plataforma, o trânsito pelo Estreito de Ormuz permanece severamente restrito, com apenas quatro movimentações de embarcações registradas entre quarta-feira (18) e quinta-feira (19): três petroleiros e um navio transportador de gás natural liquefeito (GNL).
Os dados indicam que, apesar da forte redução no fluxo, não há bloqueio total da passagem, como sugerem alguns relatos. O ritmo de navegação, no entanto, segue muito abaixo do padrão histórico observado na região.
Estreito concentra fluxo vital de petróleo
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao oceano Índico e é considerado um dos principais gargalos estratégicos do comércio marítimo global. A passagem dá acesso ao mar aberto para grandes produtores de petróleo da região, como Irã, Iraque, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Estima-se que cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo transite pelo estreito em navios-tanque. Qualquer restrição prolongada à navegação tende a acionar alertas em governos e empresas e a ser monitorada de perto por mercados de energia.
Situações de tensão na área costumam elevar custos de frete e seguros e podem aumentar a volatilidade dos preços internacionais do barril, mesmo quando o fluxo físico não é interrompido por completo. Por isso, variações no número de embarcações que cruzam Ormuz são acompanhadas com atenção por analistas e autoridades.
Até o momento, não há sinal claro de quando o trânsito na região pode se normalizar. Enquanto isso, plataformas de monitoramento seguem divulgando, em tempo real, a movimentação dos navios para tentar reduzir a desinformação em meio ao aumento das tensões no Golfo Pérsico.
Com informações do Estadão Conteúdo
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