Economia

Rio de Janeiro e Rondônia não vão reduzir ICMS sobre combustíveis

Estados não aderiram ao acordo que prevê desconto de R$ 1,20 no litro do combustível importado; preço nas bombas pode superar os R$ 7,80 nestas regiões

Da redação
DA REDAÇÃO

03/04/2026 • 12:58 • Atualizado em 03/04/2026 • 12:58

Até agora, dois estados não aderiram ao programa do governo para frear alta do diesel

Até agora, dois estados não aderiram ao programa do governo para frear alta do diesel

Marcello Casal jr/Agência Brasil

Os motoristas e transportadores do Rio de Janeiro e de Rondônia devem preparar o bolso: enquanto a maior parte do Brasil começa a sentir o alívio do subsídio federal para o diesel importado, estes dois estados são os únicos que, até o momento, não aderiram à política desenhada pelo governo federal para conter a alta dos preços decorrente das tensões no Oriente Médio.

Compartilhar

A medida, que entrou em vigor neste mês de abril, estabelece um desconto total de R$ 1,20 por litro de diesel. No entanto, o funcionamento do benefício depende de uma contrapartida: a União arca com R$ 0,60, enquanto os governos estaduais devem abrir mão de outros R$ 0,60 via redução do ICMS.

O cenário no Rio de Janeiro e em Rondônia

Sem a adesão ao acordo, o preço do combustível nas bombas destas unidades da federação reflete diretamente a volatilidade do mercado internacional. No Rio de Janeiro, o preço médio do Diesel S-10 já atinge o patamar de R$ 7,87, um dos mais altos do país.

Em Rondônia, o desafio é ainda maior devido aos custos logísticos. O estado, que frequentemente figura entre os cinco combustíveis mais caros do Brasil, registra o Diesel S-10 na casa dos R$ 7,55, sem previsão de recuo imediato. "O diesel será inevitavelmente mais caro nos estados que ficaram de fora, pois as distribuidoras locais não recebem a subvenção para compensar o custo da importação", alertou o Ministério da Fazenda.

Comparação: onde o diesel está mais barato?

Nos 25 estados que confirmaram a participação no programa — incluindo potências agrícolas e logísticas como São Paulo, Mato Grosso e Paraná — a expectativa é que o preço final ao consumidor estacione entre R$ 6,30 e R$ 6,50.

A diferença de preço entre um estado que aderiu e um que ficou de fora pode chegar a 15%. Para o setor de transportes, essa disparidade impacta diretamente no custo do frete e, consequentemente, no preço final dos alimentos e produtos que chegam às prateleiras.

Além da questão política entre estados e União, o setor enfrenta outro entrave: a adesão das grandes distribuidoras. Empresas como Vibra, Raízen e Ipiranga ainda demonstram cautela em relação à primeira fase da subvenção, o que pode retardar a chegada do desconto total em alguns postos de combustíveis, mesmo em estados que já aceitaram o acordo.