Política

Valor de contrato do Master com escritório de esposa de Moraes é revelado

Documento de 2024 teve sigilo quebrado pelo STF e detalha honorários milionários e serviços jurídicos prestados ao banco

5 min

11/09/2026 02:19 • Atualizado há 2 horas

Valor de contrato do Master com escritório de esposa de Moraes é revelado

Obtido por meio da quebra de sigilo determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as investigações do Caso Master nesta quinta-feira (10), o contrato de prestação de serviços advocatícios e de compliance firmado entre o Banco Master S.A. e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, revela detalhes até então restritos dos acordos financeiros.

Continua depois da publicidade

O documento de 16 de janeiro de 2024 formaliza o pagamento de 36 parcelas mensais e sucessivas de R$ 3.000.000,00 líquidos a título de pró-labore, o que totaliza cerca de R$ 108 milhões líquidos ou aproximadamente R$ 131 milhões no somatório bruto.

O que o contrato detalha

  • Vigência e valores: O pacto tem prazo de três anos, com depósitos mensais previstos até o 5º dia útil e retenção de tributos discriminada.
  • Escopo de atuação: O objeto contratual abrange cinco núcleos de atuação estratégica, consultiva e contenciosa perante o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária e órgãos do Executivo como Banco Central, Receita Federal e CADE.
  • Compliance corporativo: O texto prevê a implementação de programas de integridade, due diligence, códigos de ética e canais de denúncia, estendendo-se também aos sócios e acionistas controladores do banco.

O que há de novo em relação ao que foi noticiado

A revelação integral do contrato traz luz técnica a pontos que antes circulavam apenas de forma fragmentada nos bastidores:

  • Detalhamento dos valores brutos e líquidos: Enquanto notícias anteriores apontavam cifras gerais sobre os acordos, o documento especifica a mecânica dos descontos tributários (totalizando 17,73%) e o valor bruto mensal de R$ 3.646.529,77.
  • Estruturação formal dos cinco núcleos: O contrato delimita formalmente a divisão de frentes de trabalho em compliance e contencioso, contrapondo-se às discussões preliminares sobre a densidade e o formato da prestação de serviços jurídicos de alto padrão para a instituição.

Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

Continua depois da publicidade

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Continua depois da publicidade

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.

Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

Continua depois da publicidade

Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.

Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

Continua depois da publicidade

Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

Continua depois da publicidade

Ramificações políticas e a investigação Dark Horse

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.