Política

PF encontra quadro com possível fluxo de caixa do Banco Master

As informações foram tornadas públicas após a retirada do sigilo de documentos ligados ao inquérito

4 min

11/09/2026 01:12 • Atualizado há 5 horas

PF encontra quadro com possível fluxo de caixa do Banco Master

De acordo com os relatórios das diligências de busca e apreensão, agentes da Polícia Federal mapearam a estrutura societária e financeira do Banco Master utilizada para movimentar recursos por meio de redes internacionais. As informações foram tornadas públicas após a retirada do sigilo de documentos ligados ao inquérito do Caso Master pelo STF.

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Os registros da investigação apontam que, durante o cumprimento de mandados na sede do banco em São Paulo, as equipes policiais localizaram um diagrama desenhado em um quadro de vidro na data anterior às diligências de novembro de 2025. O esquema gráfico exibia setas direcionais, percentuais de participação acionária e valores financeiros interligando empresas do conglomerado.

O fluxo financeiro e a rota internacional

O material cartográfico apreendido detalhava as conexões entre o Banco Master, a Master Holding, a Master Par e diversos fundos de investimento associados ao grupo empresarial. No centro do organograma estrutural, o desenho destacava a expressão "TITAN CAYMAN", em referência a uma estrutura offshore ou trust sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman.

Para os investigadores da Polícia Federal, o esboço cartográfico funcionava como um planejamento logístico para o escoamento e a ocultação de ativos financeiros. A análise pericial apontou que a rede internacional foi estruturada para dificultar o rastreamento de capitais pelas autoridades competentes, coincidindo com o período em que o empresário buscava informações sigilosas sobre o andamento das apurações.

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Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.

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Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

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Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

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Ramificações políticas e a investigação Dark Horse

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.

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