PF aponta ação de Vorcaro após perfil de atriz ser hackeado; PCC é citado
Dados do inquérito do Caso Master mostram que banqueiro negociou para recuperar conta no Instagram de Monique Alfradique

A Polícia Federal aponta que o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atuou diretamente para negociar com invasores e recuperar o perfil hackeado da atriz Monique Alfradique no Instagram. As informações foram tornadas públicas após a retirada do sigilo de documentos ligados ao inquérito do Caso Master pelo STF.
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Relatório de análise telemática elaborado pelos investigadores revela que o empresário mobilizou sua rede de segurança privada para solucionar a invasão. Em um dos diálogos interceptados, Vorcaro chega a orientar um operador a alinhar a situação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O ataque cibernético contra a atriz ocorreu em maio de 2024, quando invasores tomaram o controle da conta da artista e passaram a publicar anúncios fraudulentos para induzir seguidores a realizarem transferências financeiras via Pix. Diante da invasão, Vorcaro enviou os dados de acesso da conta a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão ou pelo codinome "Sicário", ordenando que ele interviesse no caso.
Interlocução com invasores e ameaças
As trocas de mensagens mostram que Felipe Mourão estabeleceu contato direto e indireto com os responsáveis pelo ataque cibernético. Durante as tratativas, Mourão compartilhou com o banqueiro um arquivo de áudio gravado por um dos criminosos, que demonstrava resistência em devolver a administração da página e alegava divergências sobre a entrega do acesso.
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Segundo os registros da Polícia Federal, os invasores desconfiavam de que a equipe de Mourão pretendia tomar o controle definitivo do perfil da atriz. Em resposta à resistência do grupo, Mourão afirmou aos golpistas que "a turma" iria atrás deles e que localizaria os responsáveis "um por um".
Vítimas do Pix e instrução sobre facção
Após a equipe de segurança conseguir restabelecer o acesso à conta de Monique Alfradique, diversos seguidores passaram a enviar mensagens relatando prejuízos financeiros decorrentes dos golpes aplicados durante o período de invasão. As vítimas buscavam formas de reaver os valores enviados aos criminosos por meio do sistema bancário.
Ao ser informado sobre as queixas e os prejuízos acumulados pelos usuários da rede social, Daniel Vorcaro enviou uma mensagem a Felipe Mourão com a orientação expressa: "alinha com o pcc rsrs". A investigação da Polícia Federal conclui que o diálogo evidencia a existência de canais diretos de contato e capacidade de articulação do grupo com integrantes de organizações criminosas.
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Repercussão da queda do sigilo entre políticos
A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.
Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF
Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.
Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.
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Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro
A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.
Contabilidade paralela e influência em redes sociais
O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.
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As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.
Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.
Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão
As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.
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As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.
Ramificações políticas e a investigação Dark Horse
Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.
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A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.
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