Mendonça retira sigilo sobre inquéritos do Caso Master após pedido de Fachin
Pedido foi realizado nesta quinta (10) pelo presidente da Corte

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou na noite desta quinta-feira (9) a retirada do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master. O pedido foi feito em ofício pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, e acatado pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master na Corte.
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A solicitação de Fachin não determinava prazo para a retirada do sigilo, mas fontes do STF afirmaram à Band que houve celeridade por parte de Mendonça para publicar o despacho porque a manobra teria sido previamente combinada mais cedo entre os dois ministros.
Na petição protocolada por Fachin, é solicitado que Mendonça entregue a remessa em HD próprio tanto a ele quanto aos gabinetes dos colegas ministros. Fica salvo do levantamento de sigilo "apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida". Ou seja: informações que podem comprometer o andamento das investigações devem continuar sigilosas.
Pela decisão, só podem ter sigilo levantado parte do material que já foi apurado nas investigações. Cabe a Mendonça, relator do caso na Corte, decidir o que será ou não divulgado.
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Na leva de dados disponibilizados entre o fim da noite de quinta (10) e a madrugada de sexta (11), mais de 10 processos seguiram classificados como "sigilosos" no sistema do STF.
Tentativa de conter crise de credibilidade do STF
Esta é uma das posturas adotadas pelo ministro Fachin na tentativa de mitigar a crise sem precedentes que assola o Supremo, envolvendo trocas de mensagens e encontros entre Mendonça e Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Master que está preso.
A tensão escalou nesta semana, quando André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência policial da instituição, Leandro Almada. A decisão atendia a um pedido do Partido Novo, que solicitou providências para garantir a independência das investigações diante de mensagens telefônicas extraídas do celular de Vorcaro.
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Contudo, a decisão monocrática acendeu críticas e levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a pedir a suspensão do afastamento dos dirigentes da PF, apontando "existência de grave lesão à ordem pública e administrativa" na decisão de Mendonça. Em reação à determinação do STF, os diretores da Polícia Federal divulgaram nota oficial prestando "total apoio" a Rodrigues e Almada.
Mais cedo, o ministro marcou uma sessão extraordinária para o dia 15 de setembro, próxima quarta-feira, para discutir os afastamentos.
Lula pediu por quebra de sigilo das investigações: 'Doa a quem doer'
O requerimento de Fachin atende a pedidos de alas políticas, governamentais e empresariais que pediam um posicionamento diante da crise do Master, que estourou com as revelações envolvendo Mendonça e Moraes.
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Entre os requerentes pelo fim do sigilo está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, declarou Lula na quarta (9).
A ex-ministra da Corte Ellen Gracie afirmou nesta quinta que Fachin reservou a primeira fila do plenário para que ex-ministros atendam ao julgamento. Nesta semana, 13 magistrados aposentados do Supremo endereçaram uma carta a Fachin cobrando providências e ressaltando a confiança na autoridade dele para a resolução do caso.
Veja linha do tempo da crise no STF
Novembro de 2025: As Mensagens e a Prisão de Daniel Vorcaro
- 15 de novembro de 2025: Dois dias antes de ser alvo de mandado de prisão, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, troca mensagens com o ministro Alexandre de Moraes indagando se uma operação policial era iminente e questionando: "Acha que 2ª tenho que estar fora?", além de citar o presidente indicado do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o "juiz Ricardo".
- 16 de novembro de 2025: Vorcaro insiste em agendar um encontro presencial na residência de um deles, declarando-se perplexo e afirmando que as ações destruirão seus negócios.
- 17 de novembro de 2025: A Polícia Federal prende Daniel Vorcaro em flagrante no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, enquanto o empresário tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular sob suspeita de tentativa de fuga.
- A rede de monitoramento: A perícia técnica no celular de Vorcaro revela que o banqueiro mantinha acesso a informações sigilosas em tempo real sobre apurações na 10ª Vara Federal do DF e no Banco Central. Em conversas, Vorcaro faz menção à necessidade de obter "proteção de Andrei e Paulo", identificados por delegados como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
1º a 2 de Setembro: queda do sigilo
- 1º de setembro de 2026: O ministro relator André Mendonça derruba o sigilo da Petição 16.662, tornando públicos os relatórios da PF que contêm as conversas de Moraes com Vorcaro e remetendo os autos para manifestação da PGR. Mendonça sustenta que a transparência é a regra constitucional e aponta o plenário do STF como o foro adequado para a análise técnica do processo.
- 2 de setembro de 2026: O Partido Novo protocola representação pedindo providências contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, acusando-o de integrar a rede de influência de Vorcaro. No mesmo período, vem a público que André Mendonça se reunira com Vorcaro em março de 2025 em uma empresa privada em São Paulo; a assessoria do ministro confirma o encontro prévio à sua relatoria como estritamente institucional para ouvir pleitos sobre precatórios, ressaltando que todas as suas decisões posteriores foram contrárias ao banqueiro.
3 de Setembro: confronto entre Moraes e Mendonça
- Moraes solicita investigação contra Mendonça: O ministro Alexandre de Moraes junta relatórios de inteligência no Inquérito 4.781 (fake news) e pede ao presidente do STF a abertura de investigação criminal contra André Mendonça. Moraes atribui a Mendonça supostos crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade, acusando-o de usurpar funções da PF, falhar na custódia de mídias sensíveis que vazaram dados de senadores e perseguir alvos políticos, como o senador Davi Alcolumbre e o próprio Moraes.
- Mendonça pede o afastamento de Moraes: Na mesma noite, André Mendonça vai ao gabinete do presidente do STF, Edson Fachin, e solicita formalmente o afastamento de Alexandre de Moraes de suas funções de ministro.
- Fachin fixa prazo: O presidente Edson Fachin instaura procedimento oficial e concede prazo de 5 dias úteis para que autoridades do STF, da PGR e da PF apresentem informações por escrito sobre as representações.
6 a 8 de Setembro: Envio ao Plenário e Afastamento da Cúpula da PF
- 6 de setembro de 2026: O ministro André Mendonça encaminha os autos da Petição 16.662 ao plenário do STF para apreciação do colegiado sobre os desdobramentos do caso Master.
- 8 de setembro de 2026: Atendendo a pedido do Partido Novo e analisando relatórios da PF juntados por Moraes, o ministro André Mendonça determina o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa. Mendonça justifica a ordem afirmando que a diretoria de inteligência realizou "monitoramento sistemático e ilícito" contra ele próprio e contra o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, além de elaborar juízo correcional indevido sobre decisões judiciais e vazar informações de investigações. Mendonça solicita a convocação de sessão virtual da Segunda Turma para referendar a liminar.
9 de Setembro: guerra monocrática e intervenção de Fachin
- Dino revoga o afastamento: Atendendo a recurso de Andrei Rodrigues, o ministro Flávio Dino suspende a ordem de Mendonça e reconduz a cúpula da PF aos cargos, argumentando que a paralisação do comando policial "interessa aos investigados" e fere o devido processo legal. No despacho, Dino volta a citar a reunião ocorrida entre Mendonça e Vorcaro.
- Fachin intervém e trava decisões conflitantes: Para conter a sobreposição horizontal de ordens individuais que geravam "inconciliável conflito de posições judiciais", o presidente Edson Fachin profere uma série de decisões estruturantes: Suspensão das ordens de Mendonça e Dino: Acolhendo pedido da Advocacia-Geral da União na Suspensão de Liminar 1.946, Fachin cassa tanto o afastamento decretado por Mendonça quanto a reintegração ordenada por Dino, mantendo cautelarmente Andrei Rodrigues e Leandro Almada no comando da PF. Notificação do Diretor-Geral: Fixa prazo de 48 horas para que Andrei Rodrigues preste esclarecimentos detalhados sobre a confecção dos relatórios de inteligência que avaliaram atos do Judiciário, dados que subsidiarão a decisão da Presidência sobre sua permanência no cargo com base na Loman. Afastamento de Moraes do inquérito das fake news: Por meio da Portaria 189/2026, Fachin revoga a delegação outorgada a Alexandre de Moraes para conduzir a fase de investigação preliminar do Inquérito 4.781 (fake news), reassumindo a relatoria desses procedimentos preliminares na Presidência. Convocação do Plenário: Fachin convoca sessão extraordinária presencial do Plenário do STF para o dia 15 de setembro de 2026, às 10h, quando a totalidade dos ministros julgará colegiadamente os relatórios envolvendo Vorcaro e definirá os rumos da Petição 16.662 e do comando da Polícia Federal. As denúncias contra Mendonça seguirão em procedimento administrativo próprio.
Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF
Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.
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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.
Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro
A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.
Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.
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Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.
Contabilidade paralela e influência em redes sociais
O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.
As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.
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Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.
Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão
As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.
As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.
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Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.
Ramificações políticas e a investigação Dark Horse
Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.
A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.
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