
Relembre as maiores brigas nos debates eleitorais
Reprodução/Band
Os debates eleitorais na televisão brasileira acumulam embates marcantes desde que a Band inaugurou, em 17 de julho de 1989, o primeiro confronto presidencial ao vivo.
Às vésperas das eleições de 2026, relembre episódios que moldaram as regras atuais dos debates e como a Band pretende ter um formato mais dinâmico nos encontros deste ano.
1989: o marco dos embates antológicos na tela da Band
Na noite de 17 de julho de 1989, em plena redemocratização e com o retorno do voto direto para presidente, a Band recebeu candidatos em um debate que entrou para a história pelo pioneirismo da emissora, pela carga de tensão e pelo choque de projetos de país.
Entre os momentos mais lembrados daquele primeiro turno está o duelo entre Leonel Brizola e Ronaldo Caiado.
No púlpito, Brizola declarou que "imaginar o dr. Caiado no governo só pode ser uma piada desse país", em referência às posições do adversário. Caiado reagiu com a acusação de que o rival defendia trabalhadores no Brasil, mas mantinha recursos fora do país, afirmando que ele "aplica toda a sua verba no Uruguai" e tinha "sua grande propriedade rural" no país vizinho.
Já no segundo turno, em debate televisivo entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, o clima voltou a se intensificar.
Collor afirmou que Lula merecia o prêmio de "Pinóquio da década" ao questionar o uso de jatinhos na campanha e levou ao estúdio a chamada "pasta rosa", cheia de documentos, com a intenção declarada de pressionar e desestabilizar o adversário.
Dossiês, cadeiras vazias e o "bate-boca" histórico
Nos anos seguintes, o uso de dossiês e ataques pessoais se manteve como marca de parte dos debates, o que acabou motivando ajustes na legislação eleitoral.
Em 2004, no segundo turno das eleições municipais do Rio de Janeiro, o debate promovido pela Rede Globo terminou em um bate-boca entre Jandira Feghali e Cesar Maia.
Na ocasião, Jandira acusou o então prefeito de ter "comprado" uma pesquisa em 1996, citando trechos de um livro publicado por Maia em 1998. O prefeito rebateu dizendo que o verbo comprar se referia apenas à contratação regular dos serviços de instituto de pesquisa.
Dois anos depois, em 2006, a ausência de Lula no primeiro turno da disputa presidencial gerou uma das imagens mais marcantes da cobertura eleitoral: a cadeira vazia mantida pela Rede Globo no estúdio.
Os adversários Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque formularam perguntas e direcionaram críticas ao assento sem ocupante.
Em 2022, a forte polarização entre Lula e Jair Bolsonaro levou as emissoras a adotar regras rígidas de segurança. No debate decisivo do segundo turno, por exemplo, os candidatos receberam orientações claras sobre o comportamento no palco e ficaram expressamente proibidos de encostar um no outro, para reduzir o risco de confronto físico e manter o foco nas propostas.
Já em 2024, a disputa pela prefeitura de São Paulo também foi palco para um dos embates mais marcantes da TV brasileira. Durante debate da TV Cultura, o candidato Pablo Marçal (PRTB) levou uma cadeirada de José Luiz Datena (PSDB) após ser questionado sobre caso de assédio sexual envolvendo o ex-apresentador, que afirmou ter sido arquivado.
O calendário da temporada de debates na Band
Em 2026, a Band mantém a tradição de abrir a temporada de debates e organiza os eventos com formatos pensados para garantir dinamismo e utilidade para o eleitor. As datas dos encontros são:
- Debates estaduais (9 de agosto): Os confrontos simultâneos entre candidatos aos governos estaduais acontecerão no dia 9 de agosto, domingo, a partir das 20h;
- Debate presidencial (23 de agosto): O primeiro encontro oficial entre os candidatos à presidência está agendado para 23 de agosto, domingo, também com início marcado para as 20h.
Para evitar discussões engessadas, as regras da Band em 2026 priorizam a liberdade de expressão e a gestão de tempo pelos próprios candidatos.
Quem pergunta, seja adversário ou jornalista, terá até 1 minuto. Já o candidato interpelado receberá um bloco de 4 minutos, que poderá distribuir livremente entre resposta e tréplica, o que tende a deixar o confronto mais fluido e destacar a capacidade de argumentação de cada presidenciável.
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