
Jaques Wagner
Senado Federal
Aliados de Jaques Wagner (PT-BA) afirmam que o senador vai entregar a liderança do governo no Senado após a reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevista para acontecer até quinta-feira (25).
A reportagem da Band apurou que o parlamentar teria cedido à bancada para dedicar mais tempo à própria defesa. Ele foi alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga o Banco Master.
Fontes do gabinete do senador afirmaram que o parlamentar “só vai permanecer se for convencido pelo presidente. Caso contrário, vai pedir para sair".
No Palácio do Planalto, Lula está sendo pressionado para "permitir" a saída do parlamentar do cargo, "como medida profilática" para impedir que o caso Master "contamine" o governo.
Mas interlocutores do presidente lembram que eles são amigos há mais de 45 anos, e tem uma relação "de total confiança".
Operação da PF mira o senador
A movimentação política ocorre logo após a 9ª fase da Operação Banco Master, deflagrada pela Polícia Federal, que teve o senador Jaques Wagner como um dos alvos. O inquérito apura um esquema de desvios que soma mais de R$ 3,5 milhões. O parlamentar é suspeito de participação em irregularidades envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo o material, a operação busca esclarecer movimentações financeiras suspeitas, incluindo valores em espécie que totalizam R$ 481 milhões. A Justiça investiga se esses recursos têm origem em transações ilícitas, embora o senador negue qualquer envolvimento em irregularidades.
Em entrevista à BandNews TV, Jaques Wagner disse que não pretende deixar o cargo de líder do governo no Senado e que sua candidatura está mantida para o Senado na Bahia. No entanto, há divisão nos bastidores do PT sobre um possível afastamento após a operação.
Alguns interlocutores já sinalizaram a Lula a troca e um dos nomes indicados seria o do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, para fazer a articulação e melhorar as relações do governo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Defesa nega irregularidades
Em nota, o senador Jaques Wagner reiterou que não é réu e não foi denunciado ou acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. Ele afirmou que o apartamento mencionado pela PF, situado em uma área nobre de Salvador, jamais integrou seu patrimônio.
O senador esclareceu ainda que nega ter recebido recursos do Banco Master ou de Vorcaro, reiterando sua disposição em colaborar com as investigações e a certeza de que a verdade prevalecerá ao final do inquérito.
PT defende Wagner
Internamente, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem manifestado apoio ao senador. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, posicionou-se publicamente em defesa de Wagner, declarando ter plena confiança no parlamentar. Segundo o dirigente, a postura do partido é de aguardar o avanço dos trabalhos da Polícia Federal, sob a convicção de que não haverá comprovação de envolvimento do senador com o esquema investigado.
Apesar do apoio partidário, a permanência de Wagner na liderança segue como um ponto sensível para o Palácio do Planalto, que tem enfrentado desafios para aprovar projetos estratégicos no Congresso e busca evitar que escândalos impactem a agenda governamental.
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