
Mauro Vieira e Marco Rubio em encontro
Itamaraty/Divulgação
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comentou as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o Brasil e firmou que ele ataca “de forma grosseira e arrogante” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Em nota, o chanceler brasileiro destacou que as declarações de Marco Rubio são “inaceitáveis e ofensivas” ao povo e ao governo do Brasil.
“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”, disse o Itamaraty em nota.
“Além de usar falsas afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar, o Secretário Marco Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.
Para Mauro Vieira, o que o secretário de Estado dos EUA chama de “ego” nada mais é do que a “convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores”.
Leia a nota na íntegra:
"As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros.Além de usar falsas afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar, o Secretário Marco Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões.O que Rubio chama de ego nada mais é do que a convicção inabalável do Presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores".
Entenda
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que Lula "colocou o próprio ego à frente" de um acordo e que as tarifas são "o preço" por essa postura.
"Hoje, o presidente Trump orientou o USTR a impor uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Que não haja confusão sobre o porquê: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé", escreveu o secretário, em referência ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Na sequência, Rubio endureceu o tom e associou a medida diretamente à condução do governo brasileiro. Segundo ele, as políticas econômicas de Lula são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros".
"No último ano, Lula colocou o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso".
A declaração foi publicada depois de os Estados Unidos confirmarem a aplicação da nova sobretaxa, que entra em vigor em 22 de julho. A tarifa de 25% soma-se à alíquota geral de 10% já em vigor, elevando a taxação a 35% para os itens atingidos.
Tarifaço de 25%
O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira (15), a aplicação de um novo "tarifaço" sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo Representante do Comércio norte-americano, Jamieson Gree, impõe uma tarifa adicional de 25%, que se soma à alíquota geral de 10% já aplicada às exportações brasileiras para o mercado americano.
A lista completa de produtos que sofrerão impacto ainda não foi divulgada, mas o governo dos EUA já afirmou que café e carne bovina ficarão de fora da taxação. O etanol, por outro lado, já está confirmado na lista de produtos a sofrerem a nova tarifação.
Antes mesmo do anúncio feito na noite desta quarta-feira, o Palácio do Planalto já considerava a adoção das tarifas como certa e estudava medidas de reciprocidade para responder à ofensiva comercial.
Washington justifica a nova imposição tarifária acusando o Brasil de práticas nocivas às empresas norte-americanas em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.
No entanto, o governo brasileiro classifica as tarifas como injustas e rebate os argumentos técnicos utilizados, especialmente as acusações sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, cujos números oficiais indicam o contrário.
Durante as rodadas de negociação, que o Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR) deu por encerradas nesta semana, as autoridades brasileiras tentaram propor a redução de tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso ao açúcar no mercado americano, mas a proposta foi descartada pelos EUA.
Uma nova taxação ainda pode ser aplicada aos produtos brasileiros. O governo dos EUA pode aplicar mais 12,5% de taxas, dessa vez por uma acusação de que o Brasil estaria falhando em proibir ou fiscalizar casos de trabalho forçado. A decisão sobre essa nova taxa está prevista para até o dia 24 de julho.
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