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Política

Vorcaro desconfiou de carro usado pela PF e pediu investigação à milícia

A quebra de sigilo das investigações do Banco Master, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (10), revelou novos detalhes do

4 min

11/09/2026 00:51 • Atualizado há 44 dias

Vorcaro desconfiou de carro usado pela PF e pediu investigação à milícia

A quebra de sigilo das investigações do Banco Master, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (10), revelou novos detalhes do esquema e das relações de influência mantidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Um dos documentos liberados mostra que Vorcaro desconfiou que estivesse sendo monitorado pela Polícia Federal (PF) ao se assustar com o veículo usado pelos agentes, que estavam à paisana.

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O caso aconteceu no dia 19 de novembro de 2024. Vorcaro notou um modelo Citroën escuro parado na porta de sua residência. Ele enviou fotos da placa do carro para seu operador, Felipe Mourão (chamado de "Sicário"). Em tom de urgência, ele pediu que Mourão "levante urgentemente esses dados". Ele enviou diversas fotos do carro.

Mourão reencaminhou um "print" de tela do sistema do Ministério da Justiça (MJ) com o resultado de uma pesquisa realizada sem encontrar nada. "Que loucura. Placa falsa?", pergunta Vorcaro. "Sim. Estão olhando de onde é essa placa", respondeu Mourão. A placa na ocasião estava vinculada a um veículo oficial da PF.

Mourão acionou o grupo "A Turma", integrado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, para fazer uma consulta nos sistemas de segurança pública como o Sinesp e o Infoseg.

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Dois dias depois, em 21 de novembro, Mourão reencaminhou dois áudios enviados por Marilson Roseno da Silva. Em ambos, ele relata que estavam fazendo a pesquisa da placa repassada por Vorcaro. "Já descartamos que seja da casa aqui, mas assim que possível já estarei mandando pra ti. Sugiro ver aí com São Paulo se não quer que a gente disponibilize aqui um amigo pra estar com ele [Vorcaro] em Brasília. Ele é uma pessoa já treinada nesse sentido aí", afirmou.

Repercussão da queda do sigilo

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

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Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.

Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

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Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

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Ramificações políticas e a investigação Dark Horse

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.