O afastamento de Júlio Casares do comando do São Paulo foi precedido por um discurso que, segundo conselheiros, não conseguiu alterar o rumo da votação. Em entrevista ao Domingo Esportivo, da Rádio Bandeirantes, o conselheiro vitalício Edson Francisco Lapola detalhou como foi a fala do dirigente antes da aprovação do impeachment no Conselho Deliberativo.
De acordo com Lapola, Casares adotou um tom de defesa pessoal e vitimização ao longo de sua manifestação. “Se vitimizou o tempo inteiro, trouxe um monte de documento que apresentou na mesa, disse que estava doente”, afirmou. Para o conselheiro, a estratégia não surtiu efeito entre os votantes e não enfrentou o ponto central do processo.

Julio Casares antes da votação I Foto: EDUARDO CARMIM/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Áudio foi determinante para a decisão
Lapola afirmou que um áudio atribuído a Júlio Casares, que circulou entre conselheiros nos últimos dias, foi decisivo para a aprovação do afastamento e não chegou a ser contestado durante o discurso do dirigente. A gravação é citada no processo de impeachment e, segundo os requerentes, indica tratativas internas envolvendo divisão de ganhos.
“O conteúdo do áudio não se muda. Isso aí é irrefutável”, disse Lapola, ao comentar a fala do presidente afastado. De acordo com o conselheiro, o trecho mais emblemático da gravação, em que se ouve a frase “eu ganhei, você ganhou, nós ganhamos”, pesou mais do que qualquer documento apresentado por Casares durante a sessão.
O conselheiro também relatou o ambiente durante a reunião e afirmou que Casares permaneceu isolado. “Ele ficou com dois advogados. Mais ninguém”, contou, ao dizer que o discurso não gerou adesão nem reação favorável entre os presentes.
Falas da acusação antecederam a defesa
Antes da manifestação de Casares, três conselheiros que assinaram o pedido de impeachment fizeram uso da palavra. Lapola destacou as falas de Flávio Marques, Marcelinho Portugal Gouvêa e Caio Forjás, apontando que os argumentos apresentados reforçaram as acusações de gestão temerária e abriram caminho para a votação.
Após os discursos, o Conselho aprovou o afastamento com ampla maioria. Casares ficará fora do cargo por pelo menos 30 dias, período em que será convocada a Assembleia de Sócios para decidir sobre o afastamento definitivo.
Protestos reforçaram pressão externa
Lapola também citou o clima fora da reunião, com protestos da torcida nas dependências do clube. Para ele, a manifestação dos torcedores refletiu o desgaste da atual gestão e reforçou a percepção interna de que o afastamento era inevitável.
Com a decisão do Conselho, a presidência do São Paulo passa a ser ocupada interinamente por Harry Massis Júnior, vice-presidente eleito na chapa atual.

Harry Massis Júnior assume o cargo após a aprovação do impeachment de Casares I Foto: Divulgação/Harry Massis Júnior
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