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Resumo
O calor, a umidade e o aumento da transpiração no verão favorecem infecções de pele, como micoses e infecções bacterianas, especialmente em áreas com mais suor e pouca ventilação, como virilha, axilas, entre os dedos dos pés e abaixo das mamas.
O dermatologista Dr. Gustavo Novaes destaca que sintomas comuns, como coceira, vermelhidão, descamação, manchas, fissuras, rachaduras e mau odor, podem ser confundidos com irritações passageiras, e que a automedicação com pomadas sem orientação médica pode agravar o quadro e dificultar o tratamento.
A prevenção depende de cuidados simples, como manter a pele limpa e seca, trocar roupas suadas rapidamente, secar bem áreas de dobra, evitar compartilhar toalhas e roupas, usar roupas leves e ventiladas, além de procurar avaliação médica diante de lesões graves, dor intensa, secreção ou febre.
As altas temperaturas, a umidade e o aumento da transpiração criam um cenário favorável para o surgimento de infecções de pele durante o verão. Nesse período, crescem os casos de micoses e infecções bacterianas, especialmente em regiões do corpo onde há mais acúmulo de suor e menor ventilação.
De acordo com o dermatologista Dr. Gustavo Novaes, formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o calor e a umidade alteram o equilíbrio natural da pele e favorecem a proliferação de microrganismos.
“O calor e a umidade criam um ambiente ideal para a proliferação de microrganismos na pele. Quando suamos mais, a pele permanece úmida por períodos prolongados e isso altera o equilíbrio natural da microbiota cutânea”, explica o especialista.
Segundo ele, o suor constante e a maceração da pele também fragilizam a barreira da epiderme, facilitando a entrada e o crescimento de fungos e bactérias. Áreas de dobras do corpo — como virilha, axilas, entre os dedos dos pés e abaixo das mamas — são as mais vulneráveis, já que concentram calor, umidade e pouca ventilação.
Sinais que costumam ser ignorados
Muitas pessoas confundem os primeiros sintomas dessas infecções com irritações passageiras. Entre os sinais mais comuns estão coceira persistente, vermelhidão localizada, descamação da pele e manchas claras ou mais escuras.
Também podem surgir fissuras, rachaduras e mau odor entre os dedos dos pés. No caso das infecções bacterianas, os sintomas costumam ser mais inflamatórios, como dor, calor local, secreção ou formação de crostas.
“Em alguns casos já há dor, aumento do calor na pele e secreção, o que indica um processo inflamatório mais intenso”, alerta o dermatologista.
Micoses mais comuns na estação
Entre as infecções fúngicas mais frequentes no verão estão o chamado pé de atleta, o pano branco e a micose da virilha. Apesar de todas serem causadas por fungos, cada uma apresenta características diferentes.
O pé de atleta, por exemplo, costuma aparecer entre os dedos dos pés, causando descamação, fissuras e coceira, muitas vezes associadas ao uso prolongado de calçados fechados. Já o pano branco provoca manchas claras ou amarronzadas no tronco, pescoço ou braços, geralmente com descamação fina e mais comum em pessoas que transpiram muito.
A micose da virilha, por sua vez, provoca placas avermelhadas e coceira intensa na região da virilha e na parte interna das coxas.
Ambientes úmidos aumentam o risco
Locais compartilhados e úmidos, como piscinas, chuveiros coletivos, saunas e vestiários, também podem facilitar a transmissão de fungos.
Para reduzir o risco de contaminação, o dermatologista recomenda medidas simples, como usar chinelos em áreas úmidas, secar bem os pés — principalmente entre os dedos — e evitar permanecer por muito tempo com roupas de banho molhadas.
Outra recomendação importante é não compartilhar toalhas, roupas ou calçados.
Roupas podem favorecer infecções
O tipo de vestuário também influencia no aparecimento dessas infecções. Roupas apertadas ou feitas com tecidos sintéticos dificultam a ventilação da pele e aumentam a retenção de suor.
“O mais recomendado no verão é usar roupas leves e tecidos respiráveis, como algodão, que permitem maior ventilação da pele”, orienta Novaes.
Automedicação pode piorar o quadro
A automedicação é outro fator que pode agravar infecções de pele. Muitas pessoas utilizam pomadas sem diagnóstico médico, especialmente produtos que combinam antifúngicos, antibióticos e corticoides.
Segundo o especialista, o corticoide pode mascarar temporariamente os sintomas e dar a impressão de melhora, enquanto a infecção continua evoluindo. Esse cenário pode levar ao que os dermatologistas chamam de “micose modificada”, que se torna mais difícil de diagnosticar e tratar.
Além disso, o uso inadequado de antibióticos tópicos pode contribuir para o surgimento de bactérias resistentes.
Quando procurar um médico
Embora muitas infecções de pele sejam simples, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica. Entre eles estão lesões que aumentam rapidamente, dor intensa, inchaço importante, presença de secreção ou pus e febre.
Também é recomendada avaliação dermatológica quando não há melhora após alguns dias de tratamento inicial ou quando as infecções ocorrem em crianças pequenas, idosos ou pessoas com doenças crônicas, como diabetes.
Como prevenir
A prevenção, segundo o dermatologista, depende principalmente de cuidados simples no dia a dia. Manter a pele limpa e seca, trocar roupas suadas rapidamente e evitar permanecer com biquínis ou sungas molhados são algumas das medidas recomendadas.
Também é importante secar bem as áreas de dobra do corpo e preferir roupas leves e ventiladas.
“Pequenos cuidados com higiene e ventilação da pele já reduzem significativamente o risco de infecções cutâneas durante o verão”, conclui o especialista.

