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Acordo Mercosul-UE reforça segurança alimentar e energética, diz ABAG

Entidade avalia que tratado consolida bloco como potência ambiental e amplia atração de investimentos em tecnologias descarbonizadas e logística

Da redação
DA REDAÇÃO

10/01/2026 • 14:01 • Atualizado em 10/01/2026 • 14:01

Acordo vai além da troca tradicional de mercadorias e abre portas para agendas modernas e tecnológicas

Acordo vai além da troca tradicional de mercadorias e abre portas para agendas modernas e tecnológicas

Hugh Williamson / Alamy

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) classifica a aprovação do Acordo entre Mercosul e União Europeia como um passo estratégico fundamental para ambos os blocos, destacando o fortalecimento da segurança alimentar e energética do continente europeu diante de um cenário geopolítico global cada vez mais desafiador.

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Para os países sul-americanos, a avaliação é de que o tratado deve funcionar como uma alavanca para o crescimento econômico. A expectativa da entidade é que o acordo facilite a entrada de investimentos estrangeiros na região. Além disso, a redução ou a eliminação completa de tarifas sobre produtos do Mercosul deve aumentar a competitividade das exportações brasileiras.

Segundo a análise da ABAG, esse movimento consolida o bloco não apenas como um fornecedor de commodities, mas como uma potência energética, alimentar e ambiental. Isso amplia a capacidade da região de promover um desenvolvimento sustentável e integrado.

Novas fronteiras e tecnologias

O acordo vai além da troca tradicional de mercadorias e abre portas para agendas modernas e tecnológicas. Entre os destaques apontados pela associação estão os combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e o transporte marítimo. Esses novos mercados exigem cooperação em mobilidade híbrida e inovação. O tratado cria rotas estratégicas de integração com a Europa, que já possui parcerias com o Chile.

Isso gera oportunidades para o Brasil avançar em tecnologias de ponta, logística e na chamada integração bioceânica — corredores que ligam o Atlântico ao Pacífico para facilitar o escoamento da produção.

O Brasil é reconhecido internacionalmente como um parceiro comercial confiável. Com o acordo, o país tende a ampliar sua contribuição para suprir a demanda europeia por cadeias produtivas descarbonizadas.

Essas cadeias são sistemas de produção focados na redução da emissão de carbono, essenciais para que as nações cumpram suas metas climáticas globais.

Um roteiro para o futuro

De acordo com Ingo Plöger, presidente da ABAG, o tratado estabelece um arcabouço jurídico — ou seja, uma estrutura legal segura — favorável ao avanço de novas cooperações entre os blocos.

O dirigente ressalta que o foco está na união entre democracias comprometidas com a livre iniciativa econômica. Ele vê um cenário onde a colaboração supera a simples competição de mercado.

"Abrem-se oportunidades nas áreas de novos combustíveis e tecnologias de processos industriais, com mais cooperação do que competição, integração de inovações em serviços digitais e fortalecimento dos instrumentos da democracia", avalia Plöger.

Para o executivo, o tratado representa "mais mercado, melhor cooperação e maior participação do setor privado no desenvolvimento sustentável". Plöger defende que este é o momento ideal para que as lideranças empresariais do Mercosul e da União Europeia formalizem um "Roadmap", um roteiro estratégico de ações conjuntas. "Voltamos a visualizar uma agenda União Europeia–Mercosul para mais 25 anos", conclui o presidente da ABAG, projetando um longo período de estabilidade e crescimento mútuo para o agronegócio nacional.

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