Agroband

Cidades do agro têm calor de 40ºC e cinturão verde em SP tem frio de 13ºC

Hortaliças e legumes podem sofrer com baixas temperaturas, mas na região central do país, calor castiga o gado e lavouras de milho

Da redação
DA REDAÇÃO

11/08/2026 • 14:36 • Atualizado em 11/08/2026 • 14:39

Uma forte massa de ar frio aliada ao avanço de uma frente fria mudou drasticamente as condições meteorológicas no Centro-Sul do país nesta terça-feira (11). Enquanto a Região Central brasileira registra temperaturas superiores a 40°C e umidade relativa do ar em níveis críticos, o estado de São Paulo e os estados da Região Sul enfrentam queda acentuada nos termômetros e volumes expressivos de chuva, impondo alertas para a produção agrícola regional.

Compartilhar

No leste de São Paulo, região que abrange o Cinturão Verde paulista — responsável pelo abastecimento de hortaliças da Região Metropolitana —, os termômetros despencaram. Na capital paulista, a máxima prevista para esta terça-feira é de apenas 15°C, com mínima de 12°C e presença de muitas nuvens com chuvas isoladas.

Na Região Sul, o contraste climático é marcado por instabilidades severas provocadas pela atuação de um cavado meteorológico. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) alerta para o risco de tempestades e acumulados de chuva que podem chegar a 150 mm no Rio Grande do Sul. As temperaturas também caíram de forma expressiva, com máximas que não ultrapassam 10°C em Curitiba (PR) e 16°C em Porto Alegre (RS).

Impactos do frio e da chuva na produção de hortaliças

O Cinturão Verde de São Paulo engloba municípios como Mogi das Cruzes, Suzano, Ibiúna e Cotia, que fornecem grande parte das folhosas (como alface, couve e espinafre) e legumes consumidos no estado. A combinação de temperaturas baixas, menor incidência de radiação solar e alta umidade desacelera o ciclo de desenvolvimento das hortaliças. O excesso de umidade nas folhas favorece o surgimento de doenças fúngicas e bacterianas, exigindo manejo fitossanitário reforçado pelos olericultores para evitar perdas de produtividade.

No Sul do país, os temporais previstos para a semana acendem o sinal de alerta para as culturas de inverno, como o trigo, a aveia e a cevada, além do preparo do solo para a primeira safra de grãos. O excesso de precipitação dificulta o tráfego de máquinas agrícolas no campo e eleva os riscos de encharcamento do solo e erosão em áreas descobertas.

A previsão do INMET aponta que o tempo frio e instável deve predominar na faixa leste paulista e em áreas do Sul nos próximos dias, exigindo monitoramento constante por parte do produtor rural para mitigar os efeitos do clima adverso nas lavouras.

Calor intenso

A massa de ar quente e seco que atinge a região central do Brasil provocou temperaturas extremas e níveis críticos de umidade relativa do ar. O município de Goiás (GO) registrou a maior temperatura do país, com os termômetros marcando 41,4°C no meio da tarde, seguido por São Miguel do Araguaia (GO), que atingiu 41,1°C. Ao todo, 10 municípios brasileiros superaram a marca de 40°C, enquanto 47 cidades registraram índices de umidade iguais ou inferiores a 15%, aproximando-se de níveis de alerta emergencial para a saúde pública e a agricultura.

As temperaturas mais elevadas e os menores índices de umidade se concentram entre o norte de Goiás, o leste de Mato Grosso, o sul de Tocantins e o norte de Minas Gerais. Em Mato Grosso, os municípios de Rondonópolis, Nova Xavantina e Cocalinho alcançaram máximas de 40,7°C, enquanto Novo Santo Antônio e Querência também figuraram na lista das localidades mais quentes do dia. Em Tocantins, o destaque foi Formoso do Araguaia, com marca de 40,5°C.

Na capital goiana, Goiânia, os termômetros registraram 38,3°C, marcando a maior temperatura para o mês de agosto desde o início das medições na estação meteorológica convencional local. Além do calor extremo, o ar seco se intensificou no município mineiro de Araçuaí, que apresentou o menor índice de umidade relativa do ar do país, atingindo apenas 10%. Espinosa (MG) e Gaúcha do Norte (MT) registraram 11%, enquanto Montes Claros (MG), Mocambinho (MG) e a cidade de Goiás marcaram 12%.

No Distrito Federal, os termômetros também atingiram novos recordes para o ano de 2026. A estação meteorológica do Gama (Ponte Alta) registrou a temperatura máxima de 34,3°C, superando a marca anterior de 34,1°C observada no domingo (09) em Águas Emendadas. A umidade relativa do ar no Gama caiu para 13%, o menor valor registrado no Distrito Federal em 2026, enquanto a estação central de Brasília marcou 32,0°C e umidade mínima de 18%.

Extremos de temperatura e secura afetam a produção agrícola

A combinação de temperaturas superiores a 40°C e umidade relativa do ar abaixo de 15% impõe severos desafios ao setor agropecuário nacional. A ausência de precipitações prolongada e o ressecamento do solo afetam diretamente as culturas de inverno e reduzem a umidade disponível para o início do preparo do solo da próxima safra. O estresse hídrico vegetativo exige atenção contínua dos produtores rurais para o manejo do solo e a preservação do material orgânico nas lavouras.

Além dos impactos no cultivo de grãos e fibras, os índices de umidade crítica elevam consideravelmente o risco de queimadas em áreas de pastagem e vegetação nativa no Cerrado. A seca prolongada reduz a oferta de massa forrageira para a pecuária extensiva, obrigando o pecuarista a recorrer ao uso intensivo de suplementação no cocho para manter os níveis de peso da arroba do boi gordo durante a entressafra.

A manutenção do bloqueio atmosférico sobre a faixa central do território nacional impede o avanço de frentes frias e a formação de nuvens de chuva, mantendo a previsão de tempo seco e temperaturas elevadas para os próximos dias nas regiões afetadas.

Veja a lista de cidades com calor acima de 40ºC

  • 41,4°C: Goiás (GO)
  • 41,1°C: São Miguel do Araguaia (GO)
  • 40,7°C: Rondonópolis (MT)
  • 40,7°C: Nova Xavantina (MT)
  • 40,7°C: Espigão do Leste (MT)
  • 40,6°C: Cocalinho (MT)
  • 40,5°C: Formoso do Araguaia (TO)
  • 40,5°C: Novo Santo Antônio (MT)
  • 40,1°C: Aragarças (GO)
  • 40,0°C: Querência (MT)

As cidades mais ‘secas’

  • 10%: Araçuaí (MG)
  • 11%: Espinosa (MG)
  • 11%: Gaúcha do Norte (MT)
  • 12%: Goiás (GO)
  • 12%: Montes Claros (MG)
  • 12%: Mocambinho (MG)
  • 13%: Goiânia (GO)
  • 13%: Goianésia (GO)
  • 13%: Paraúna (GO)
  • 13%: Gama (DF)