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El Niño traz risco para preços de alimentos e inflação, aponta IBGE

Fenômeno climático altera padrões de chuvas e temperaturas, que podem reduzir a produtividade nas lavouras e impactar safra

VIVIANE TAGUCHI

11/08/2026 • 11:55 • Atualizado em 11/08/2026 • 11:55

El Niño pode reduzir a produção de alimentos e provocar alta generalizada de preços

El Niño pode reduzir a produção de alimentos e provocar alta generalizada de preços

REUTERS/Adriano Machado

O El Niño e as mudanças climáticas representam um risco relevante para a produção agrícola e o comportamento futuro dos preços de alimentos no Brasil. A declaração foi feita pelo gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, ao analisar os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, divulgados nesta terça-feira (11) pelo órgão.

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Gonçalves explicou que o fenômeno altera de forma direta os padrões de chuva e temperatura no País. Essa instabilidade climática pode comprometer a produção agrícola e afetar a oferta de produtos, dependendo de onde se concentrem os episódios de seca ou de excesso de precipitação.

Impactos do clima na produção de alimentos

Gonçalves destacou que o El Niño registrado em 2024 também trouxe reflexos visíveis sobre o setor alimentício. Na ocasião, a alteração no clima impactou o valor de itens importantes da cesta básica do brasileiro, como o café e as carnes.

Para o ciclo atual, a expectativa dos especialistas é de um El Niño forte. Segundo Gonçalves, o acompanhamento constante das lavouras será determinante para avaliar se o quadro de alívio nos preços poderá se manter ou se será revertido nos próximos meses.

Apesar do alerta, o representante do instituto ressaltou que ainda não é possível quantificar a intensidade do impacto do clima sobre os índices oficiais de inflação. Segundo o pesquisador, qualquer estimativa prematura neste momento seria mera especulação, sendo necessário aguardar o desdobramento do evento climático.

Recuo em alimentos ajuda a conter a inflação em julho

A preocupação com o clima surge em um momento de trégua no bolso do consumidor. Em julho, o grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,67%, impulsionado pelo recuo de 1,14% na alimentação no domicílio. Por outro lado, a alimentação fora de casa registrou aceleração de 0,55% no mesmo período.

O resultado do grupo de alimentos foi decisivo para que o IPCA fechasse o mês de julho em 0,07%. Esse desempenho permitiu que o índice acumulado em 12 meses voltasse a ficar abaixo do teto da meta estabelecida para a inflação, após dois meses consecutivos acima do limite.