O governo brasileiro tem buscado reabrir o diálogo com a União Europeia para revisar as restrições impostas à carne brasileira, tema que volta ao centro das discussões em meio a um cenário global de mudanças regulatórias e pressões por práticas mais sustentáveis.
O analista de pecuária de mercado Fernando Iglesias avalia que, por trás dessas restrições, existe um tom de protecionismo técnico, evidenciado por normas como a lei antidesmatamento, que deve ganhar ainda mais destaque a partir do próximo ano.
Segundo Iglesias, ao analisar a restrição adotada pela União Europeia, é possível perceber o viés de protecionismo técnico nessa movimentação, como a lei antidesmatamento, que vai começar a ser discutida com mais ênfase em 2027. Ele também destaca que, além do endurecimento das regras ambientais, há uma preocupação crescente em relação ao uso de antimicrobianos na produção de carne, pauta que tem ganhado força não apenas na Europa, mas também em outros mercados relevantes, como a China e países asiáticos, que vêm implementando normas regulatórias mais severas desde 2019.
A União Europeia, considerada um mercado “vitrine”, pode influenciar outros grandes compradores globais a adotar posturas similares, o que, segundo Iglesias, poderia representar um impacto negativo para as exportações brasileiras. “Ela é um mercado vitrine muito importante. Outros mercados consumidores relevantes podem adotar um tom parecido. Isso pode impactar negativamente nas exportações brasileiras se outros países vierem a adotar medidas semelhantes à da Europa”, afirma o analista.
Atualmente, o bloco europeu representa cerca de 3% do volume total de exportações de carne do Brasil, participação considerada pequena. No entanto, a preocupação do setor está justamente no risco de que outras regiões sigam o mesmo caminho e ampliem as barreiras técnicas e ambientais.
No mercado interno, uma possível queda nas exportações poderia, em curto prazo, resultar em preços mais acessíveis para o consumidor brasileiro. Porém, Iglesias alerta para consequências negativas no médio e longo prazo, com impactos diretos sobre a produção nacional. “Isso poderia fazer com que o consumidor final aqui no Brasil tivesse acesso a carne mais barata. Mas no médio e longo prazo, isso impactaria negativamente na produção brasileira. Então traria um impacto negativo em relação à produção brasileira”, pontua.
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