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Plano Safra: juros elevados e dúvidas sobre crédito rural, diz Federarroz

Federação considera positivo o aumento de recursos para a agricultura empresarial, mas alerta para redução do custeio e custo do financiamento

Da redação
DA REDAÇÃO

01/07/2026 • 05:00 • Atualizado em 01/07/2026 • 12:14

O Plano Safra 2026/2027, anunciado nesta terça-feira (30) pelo governo federal, amplia em R$ 9 bilhões os recursos destinados à agricultura empresarial, passando de R$ 516,2 bilhões para R$ 525,1 bilhões. Apesar do aumento no volume total de crédito, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) avalia que as condições anunciadas ainda estão abaixo das necessidades do setor.

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A entidade destaca preocupações com as taxas de juros, os valores destinados ao custeio e a situação financeira dos produtores. Do total previsto para o novo ciclo, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões serão voltados aos investimentos. Na comparação com a safra anterior, houve uma redução de R$ 29,8 bilhões no custeio e comercialização, em contrapartida a um crescimento de R$ 38,7 bilhões nos investimentos.

Setor esperava condições mais favoráveis

Para o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, o setor projetava condições melhores para financiar a produção. "O Plano Safra veio com valor abaixo do que a gente pretendia. Os juros também não vieram como a gente pretendia. Nós pretendíamos abaixo de um dígito, e ele veio para a agricultura empresarial em 12,5%", afirma Nunes.

O dirigente ressalta que ainda é necessário conhecer os detalhes sobre a operacionalização dos recursos e do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), instrumento considerado estratégico para a atividade rural. Além disso, há apreensão quanto à capacidade das instituições financeiras de captar recursos suficientes para atender à demanda por crédito em um cenário econômico desafiador.

Endividamento preocupa produtores de arroz

Outro ponto central destacado pela Federarroz é a necessidade de uma solução definitiva para o endividamento dos produtores. Segundo Nunes, a definição sobre o Projeto de Lei nº 5.122 e as medidas adotadas pelo governo federal serão determinantes para que parte dos arrozeiros consiga acessar as linhas de financiamento da próxima safra.

"Nós também estamos na dependência das renegociações, de como vai ser resolvida essa questão do endividamento, até para que a gente consiga ter acesso ao crédito rural, porque senão vários produtores de arroz vão ficar alijados do Plano Safra", conclui o presidente da entidade.