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Praga mortal, mosca-da-bicheira ressurge nos EUA após 60 anos

O Departamento de Agricultura americano confirmou focos do parasita mortal no Texas, em meio ao menor nível do rebanho bovino do país em décadas

Da redação
DA REDAÇÃO

06/06/2026 • 11:03 • Atualizado em 06/06/2026 • 16:52

USDA confirma dois casos de bezerros atacados por mosca-da-bicheira

USDA confirma dois casos de bezerros atacados por mosca-da-bicheira

Freepik

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirma oficialmente a detecção da mosca-da-bicheira no sul do estado do Texas. O ressurgimento do parasita, que é mortal para o gado, acende um alerta severo para a agro norte-americano. A praga era considerada totalmente erradicada do território norte-americano desde 1966.

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O Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Plantas do órgão (APHIS) confirmou o primeiro foco da doença em um bezerro de três semanas no dia 3 de junho, no condado de Zavala. Dois dias depois, um segundo caso foi diagnosticado em outro animal localizado a 5,6 milhas de distância do ponto inicial.

A fêmea da mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax) deposita seus ovos nas bordas de feridas abertas ou mucosas de animais de sangue quente. As larvas nascem e rasgam o tecido vivo do hospedeiro usando ganchos bucais afiados, alimentando-se de tecido e sangue. O problema provoca lesões profundas, sofrimento agudo e morte se não houver tratamento veterinário rápido.

O surto ocorre em um momento crítico para a economia dos Estados Unidos. Devido a secas severas recentes, o rebanho bovino do país registra atualmente o menor nível dos últimos 75 anos. Essa escassez de gado já vinha empurrando os preços da carne bovina a recordes operacionais no mercado local.

O histórico de controle biológico

A erradicação original da praga em solo americano, completada em 1966, foi fruto de uma longa campanha baseada na técnica do inseto estéril. Esse método consiste na liberação em larga escala de machos estéreis na natureza para interromper o ciclo reprodutivo natural do inseto.

Fora um surto restrito a cervos selvagens na Flórida em 2016 e um caso isolado importado por um viajante vindo de El Salvador em 2025, o rebanho comercial texano não registrava o parasita há seis décadas. O anúncio oficial da Secretaria de Agricultura dos EUA, comandada por Brooke Rollins, confirma que a situação é acompanhada de perto pelas autoridades sanitárias.

O avanço do inseto em direção ao norte era monitorado desde o final de 2024. Na ocasião, a praga rompeu as barreiras de contenção biológica mantidas no Panamá. A partir dali, as moscas progrediram mais de 1.100 milhas pelo território do México até atingir a fronteira com o Texas.

Até o momento, o USDA e as equipes de biossegurança de fronteira não publicaram um laudo definitivo sobre o vetor exato de entrada da praga no condado de Zavala. Os técnicos investigam se a chegada decorreu da rota migratória natural de moscas adultas ou do transporte irregular de animais infectados sem fiscalização.

Impacto nulo no mercado de carne do Brasil

Apesar da gravidade do cenário na América do Norte, o risco sanitário e comercial para o Brasil é considerado virtualmente nulo ou extremamente limitado. A avaliação é de analistas da consultoria Safras & Mercado, que apontam estabilidade para os produtores nacionais.

Os preços futuros do boi gordo na bolsa brasileira B3 operam de lado e sem apresentar sobressaltos após o comunicado do governo americano. A grande distância geográfica entre os países inviabiliza qualquer tipo de contaminação direta entre os rebanhos.

Além disso, a mosca-da-bicheira já é um parasita endêmico na América do Sul. A bicheira, nome popular dado à infestação por essas larvas, é um problema cotidiano nas fazendas brasileiras e seu manejo é amplamente controlado na rotina veterinária nacional.