Resumo
O índice de inflação em março apresentou sinais de alívio para a economia, mas o grupo de alimentos continuou com alta significativa, especialmente itens como feijão carioca, ovo de galinha, leite longa vida e carnes, impulsionados por excesso de chuvas e entressafra.
O feijão carioca teve aumento de quase 20% no mês, causado principalmente por fatores climáticos, perdas de safra em Minas Gerais e Goiás, além de dificuldades na colheita, o que reduziu a oferta e elevou os preços para valores acima de R$ 10 em algumas regiões, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Lüders.
Ovos de galinha e leite longa vida também ficaram mais caros, refletindo a alta internacional das commodities soja e milho, além de fatores sazonais como a Quaresma para ovos e condições adversas das pastagens para o leite, resultando em aumentos de 7,54% e 4,46%, respectivamente, em março.
O índice geral da inflação, em março, mostrou sinais de alívio à economia. No entanto, o grupo alimentos continua em alta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve no mês uma alta de 0,99% nos itens da alimentação dentro de casa e, neste grupo, estão alimentos como o feijão carioca, o ovo de galinha, leite (vendido nas caixas longa vida) e as carnes. O excesso de chuvas e a entressafra estão entre os motivos que provocaram a alta de preços destes itens.
O feijão carioca, de acordo com o IPCA, subiu quase 20% no mês. A alta de 19,69% foi motivada, principalmente, por fatores climáticos e a entressafra do feijão, que é um período entre o fim de uma colheita e o início da próxima safra e que provoca uma queda na oferta do produto.
Em março, o excesso de chuvas em importantes regiões produtoras também prejudicou a qualidade do grão e dificultou a colheita, reduzindo ainda mais a disponibilidade do produto nas prateleiras dos supermercados. Com a oferta menor e a demanda constante por um item tão tradicional na mesa do brasileiro, o preço subiu.
Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), afirmou que a colheita da primeira safra de feijão foi uma das menores dos últimos anos, com perdas de 25% devido às chuvas, principalmente em MInas Gerais e Goiás, que são as principais regiões produtoras do grão no Brasil. “Não há feijão suficiente para atender a procura normal pelo grão”, afirma. A situação, porém, não é uma surpresa. Lüders já previa que o impacto chegaria com força ao consumidor final entre fevereiro e abril.
Segundo ele, o preço do quilo do feijão carioca pode ultrapassar os R$ 10 em diversas regiões, podendo atingir preços ainda mais elevados em regiões onde a logística é mais complexa, devido à escassez de oferta de feijão "nota 9", que são os de melhor qualidade. Agora, a alta do diesel ainda pode elevar mais os custos do alimento. “É importante que a indústria e o consumidor entendam que a alta nos preços é resultado de uma produção menor, e não de retenção de estoque”.
Ovos e leite mais caros
A alta nos ovos de galinha e leite refletem a alta das commodities - soja e milho - no mercado internacional. Os dois itens são os principais ingredientes das rações de galinhas e vacas e, por isso, suas altas, que também reagiram às tensões no Oriente Médio, impactaram o custo final dos produtos. O ovo de galinha registrou uma alta de 7,54% em março, enquanto o leite longa vida subiu 4,46%.
No caso do ovo, ainda há o fator de mercado relacionado à Quaresma. Como o consumidor deixa de consumir carne vermelha no período, opta por outros tipos de proteínas de origem animal e a demanda por ovos aumenta significativamente após o fim do carnaval até a Páscoa.
Já o leite, outro fator que impactou o preço foram as condições das pastagens. Em algumas regiões do país, os pastos estão secos e em outras, com excesso de umidade. O pasto seco obriga o pecuarista a investir mais em alimentação suplementar (ração) que está mais cara, enquanto o pasto úmido provoca doenças nos cascos das vacas e, por isso, elas não podem pastar livremente.
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