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El Niño deve retornar em julho e ameça lavouras brasileiras

Cemaden e Inmet indicam 80% de chance de fenômeno no 2º semestre; excesso de chuva no Sul e seca no Norte devem afetar planejamento da safra 2026/27

VIVIANE TAGUCHI

18/03/2026 • 12:18 • Atualizado em 18/03/2026 • 12:18

Instituições climáticas indicam ocorrência de El Niño a partir de julho no Brasil

Instituições climáticas indicam ocorrência de El Niño a partir de julho no Brasil

Foto: José Fernando Ogura | AEN

Resumo

O alerta emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) destaca que, após um período de neutralidade climática até junho de 2026, o fenômeno El Niño deve se tornar predominante no Brasil a partir de julho, com probabilidade de até 80% e intensidade de moderada a forte.

O retorno do El Niño traz chuvas acima da média e riscos de temporais, erosão e doenças fúngicas para lavouras da Região Sul, enquanto no Norte e Nordeste aumenta a ameaça de secas severas, incêndios e redução de chuvas em áreas agrícolas importantes como o Matopiba, abrangendo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A previsão para Centro-Oeste e Sudeste aponta temperaturas muito acima da média e chuvas irregulares no segundo semestre, dificultando o planejamento do plantio da safra de verão 2026/27 e exigindo maior monitoramento climático dos produtores devido ao possível impacto na produção e nos custos logísticos.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), emitiu alertas sobre uma importante transição climática em 2026: após o fim da influência do fenômeno La Niña, o Brasil entra em um período de neutralidade climática, mas tudo indica que, a partir do mês de julho, o fenômeno El Niño seja mais influente no clima.

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De acordo com as informações divulgadas pelas instituições, as chances de neutralidade climática — quando não há fenômenos ativos — são de 93% até o mês de junho.Após esse período, a probabilidade de configuração do El Niño no segundo semestre subiu consideravelmente, atingindo 62% entre junho e agosto, e podendo chegar a 80% a partir de agosto. O Cemaden alerta que o fenômeno pode ter intensidade de moderada a forte, com aquecimento expressivo do Oceano Pacífico.

Ameaça às lavouras da região Sul e Norte

O retorno do El Niño inverte a lógica climática enfrentada pelos produtores rurais. Na Região Sul, o El Niño traz chuvas acima da média, o que favorece a recarga de reservatórios, mas impõe desafios operacionais. O excesso de umidade atrapalha a colheita e eleva o risco de erosão do solo e doenças fúngicas, como a ferrugem asiática na soja. Além disso, há maior risco de temporais com granizo e ventos fortes, capazes de danificar a infraestrutura das fazendas.

Já nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño pode provocar secas severas, com redução das chuvas no "Matopiba" — região que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e é considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país. O Cemaden destaca no alerta que as condições são propícias para incêndios na Amazônia e em áreas de pastagem, devido à combinação de baixa umidade e calor extremo.

Previsão para o Centro-Oeste e Sudeste

Para as regiões Centro-Oeste e Sudeste, a previsão indica um segundo semestre com temperaturas muito acima da média histórica. Embora as chuvas não devam cessar totalmente, a tendência é de grande irregularidade na distribuição das precipitações.

Essa instabilidade dificulta o planejamento do plantio para a safra de verão 2026/27, que começa a partir de setembro de 2026, exigindo que o produtor rural redobre o monitoramento climático para definir a melhor janela de semeadura. A transição climática exige atenção estratégica, já que a intensidade do fenômeno pode impactar diretamente o volume da produção nacional e os custos logísticos no campo.