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Política

"Mais do mesmo", diz Flávio após PF revelar novo encontro com Vorcaro

Candidato afirma que apurações sobre financiamento do longa de Bolsonaro são tentativa de criar "cortina de fumaça"

6 min

11/09/2026 14:11 • Atualizado há 43 dias

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, classificou como "mais do mesmo" as novas informações do relatório da Polícia Federal sobre suposto encontro com o banqueiro Daniel Vorcaro, divulgadas nesta semana após a quebra de sigilo do caso Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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O documento, liberado pelo ministro André Mendonça, atendendo a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, aponta mensagens de 20 de agosto de 2025 que sugerem um provável encontro presencial entre Vorcaro e o parlamentar, ocasião em que o empresário informa um horário e o senador responde que estava "a caminho". O relatório integra o inquérito aberto em julho, que investiga o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pedido da Polícia Federal, a investigação apura, em tese, possíveis crimes ligados ao financiamento do longa, como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A Procuradoria-Geral da República não se opôs à abertura do procedimento.

"Mais do mesmo", diz Flávio

Questionado sobre as informações do relatório, Flávio insistiu que sua relação com o projeto é lícita e que os investigadores apenas descrevem o conteúdo de um áudio já conhecido. "Claramente, é a Polícia Federal do Lula que coloca no papel algo como se eu fosse suspeito por causa de um áudio. Nada mais", afirmou.

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"Eu estou falando desde o dia 1: é um patrocínio para um filme privado e foi isso. Fui atrás de vários investidores, então tudo que aparece vai ser mais do mesmo", disse o senador. "Aí, quando você vê a PGR, que é o Procurador-Geral da República, também é parte interessada nisso, todo mundo viu que ele tinha ido tomar uísque com o Vorcaro, da mesma forma o chefe da Polícia Federal (Andrei Rodrigues)", acrescentou.

Críticas à PF, à PGR e a decisões de Dino

Para Flávio,Mendonça conduz o caso com equilíbrio e transparência. "Ele está certo, ele está sendo juiz, é assim que eu queria. Eu queria muito que todos os ministros do Supremo fossem como o André Mendonça, que não pesam para lado nenhum, investigam tudo, todo mundo, com transparência, mostram para a imprensa, mostram para o povo, vamos ver o que é que está certo", declarou.

"Vocês vão lembrar: o Mendonça deu uma decisão afastando o diretor-geral da Polícia Federal indicado pelo Lula da chefia da corporação, não foi isso? No dia seguinte, o Dino, completamente fora da competência dele, dá uma canetada, recoloca o diretor da Polícia Federal de volta no cargo. Ele corre lá na Polícia Federal e autoriza essa operação de ontem, porque aqui não tem absolutamente nada. O que é que encontraram lá?", questionou o candidato.

O senador afirma que a operação não trouxe fatos novos e que todo o material sobre a produtora responsável pelo filme já estava à disposição das autoridades. "Nada, tudo já estava nas mãos da Polícia Federal, tudo já tinha sido entregue para a Polícia de São Paulo, os 25 mil documentos da produtora, então está tudo transparente", disse.

"O que a PF encontrou lá na produtora? Um documento dizendo que a dona da produtora estava sendo ameaçada por pessoas ligadas diretamente ao Flávio Dino e ligadas diretamente ao Lula. Eu estou pedindo que o Dino seja investigado formalmente nessa investigação, para que ele pare de tomar decisões tentando interferir nas eleições", declarou.

Senador fala em interferência e "cortina de fumaça"

Na visão de Flávio Bolsonaro, há tentativa de usar o inquérito para afetar a disputa eleitoral após a melhora de seu desempenho nas pesquisas.

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"Está mais do que claro que ele quer interferir nas eleições", disse, referindo-se a Flávio Dino. "Hoje eu tenho ciência de que essa decisão é de julho, portanto, julho, agosto, setembro, faz dois meses. Por que que agora, imediatamente após a gente ultrapassar rapidamente o Lula nas pesquisas, eles tentam criar um fato, levantar essa cortina de fumaça?", questionou.

Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.

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Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.

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Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

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Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

Ramificações políticas e a investigação Dark Horse

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.