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Política

Zanin pede a Fachin íntegra de investigação da PF em posse de Mendonça

Para o ministro, disponibilizar a íntegra da mídia em HD próprio "otimiza a análise" dos pedidos apresentados pela PGR

6 min

11/09/2026 13:22 • Atualizado há 43 dias

Zanin pede a Fachin íntegra de investigação da PF em posse de Mendonça

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Luiz Fachin, em Brasília, pedindo acesso à íntegra de uma mídia da investigação da Polícia Federal ligada ao caso Master, que está sob a guarda do gabinete do ministro André Mendonça.

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Pedido ocorre após levantamento de sigilo

O documento de Zanin faz referência à decisão de Fachin, tomada na véspera, que determinou a Mendonça a remessa, em HD próprio, de todos os procedimentos contidos ou relacionados ao caso para a Presidência e os gabinetes dos demais ministros, além do levantamento do sigilo da própria petição e de processos conexos, com exceção apenas de diligências que ainda dependem de reserva para sua realização.

Na mesma data, Mendonça promoveu o fim do sigilo de uma série de feitos, entre eles inquéritos e petições como o INQ 5.026 e a Pet 16.662, e informou que "estão sendo adotadas as providências administrativas necessárias à remessa de cópia integral dos referidos autos, em HD próprio, à Presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros", conforme registra o ofício.

Nesse contexto, Zanin solicita que também seja incluída nesse envio a íntegra da mídia referenciada na Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026, usada pela PF nas investigações que embasaram os pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR) que serão analisados pelo plenário do STF.

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Celular apreendido é foco da solicitação

No ofício, o ministro especifica que pretende ter acesso, em HD específico, aos dados que suportaram o Laudo nº 4281/2025 da Seção Técnica-Científica da PF em São Paulo, produzido a partir de "01 (um) aparelho celular da marca APPLE, modelo IPHONE 17 PRO, número de série LTPF3F27YR, IMEI A 358829560150138, IMEI B 358829560502072", cuja origem é o Termo de Apreensão nº 4473731/2025. Segundo ele, essa mídia encontra-se atualmente à disposição do gabinete de Mendonça.

"Importante registrar que referida mídia está diretamente relacionada às análises referidas no bojo da Pet. 16.662 e, por isso, na minha compreensão, já se encontra abrangida pela decisão proferida por Vossa Excelência na data de ontem", afirma Zanin no texto.

Objetivo é otimizar análise de pedidos da PGR

Para o ministro, disponibilizar a íntegra da mídia em HD próprio "otimiza a análise" dos pedidos apresentados pela PGR na petição protocolada em 1º de setembro de 2026, que serão submetidos a julgamento na próxima terça-feira, dia 15. Segundo ele, o acesso completo aos materiais da PF é condição para "permitir a apreciação necessária e completa" das medidas requeridas pelo Ministério Público no âmbito dos procedimentos relacionados à Pet 15.556.

O ofício dirigido a Fachin integra a série de movimentações internas no STF para garantir que todos os ministros tenham acesso uniforme às provas produzidas pela Polícia Federal no Caso Master e em processos conexos. A análise do pedido cabe agora à Presidência do tribunal, que conduz a organização do julgamento marcado para terça-feira (15).

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Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.

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Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.

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Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

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Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

Ramificações políticas e a investigação 'Dark Horse'

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse, que apura o uso do projeto audiovisual para a lavagem de capitais associada ao grupo financeiro.

Zanin pede a Fachin íntegra de investigação da PF em posse de Mendonça