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Vice da Venezuela convoca resistência e afirma que país não será colônia

Vice-presidente classifica captura de Maduro como "sequestro" e reforça que líder detido pelos EUA continua sendo o único presidente do país

Da redação
DA REDAÇÃO

03/01/2026 • 16:58 • Atualizado em 03/01/2026 • 16:58

Vice-presidente da Venezuela

Vice-presidente da Venezuela

Reprodução

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, convocou ministros e a população venezuelana neste sábado (3) a resistirem à intervenção dos Estados Unidos no governo do país. Em pronunciamento oficial, a política subiu o tom contra a ofensiva americana e garantiu que a nação sul-americana "nunca será colônia de nenhuma nação".

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Rodríguez utilizou a televisão pública para transmitir sua mensagem de resistência logo após a operação militar que resultou na detenção de Nicolás Maduro. Durante a fala, ela pediu calma aos cidadãos e classificou a captura do líder venezuelano como um "sequestro" promovido pelo governo de Donald Trump.

Legitimidade de Nicolás Maduro

Durante sua fala, a vice-presidente classificou a captura de Nicolás Maduro como um "sequestro" promovido pelos Estados Unidos. Ela enfatizou que, apesar da detenção, Maduro continua sendo o único presidente legítimo da Venezuela, rejeitando qualquer tentativa de mudança de poder imposta por forças estrangeiras.

A declaração ocorre em um momento crítico, onde o governo venezuelano tenta manter a unidade interna e a estrutura administrativa. Segundo Rodríguez, a mobilização dos ministros e o apoio popular são fundamentais para enfrentar o cenário de crise e garantir que as instituições do país não sejam submetidas ao controle externo.

Resistência à intervenção americana

O apelo à resistência feito por Delcy Rodríguez é uma tentativa de articular a defesa do país contra a influência direta de Washington. O governo em Caracas utiliza a comunicação oficial para mobilizar a base aliada e sinalizar à comunidade internacional que não aceitará passivamente as ações coordenadas pelo presidente Donald Trump.

Na visão da vice-presidente, o respeito à autodeterminação da Venezuela é inegociável. O pronunciamento deste sábado serve como um marco da postura oficial do gabinete de Maduro, que deve seguir operando sob a liderança de Rodríguez para confrontar os desdobramentos da intervenção militar na região.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.