Política

Crise no STF: bastidores de sessão têm troca de bilhete, abraço e cochicho

Ministros da Corte devem decidir se abrirão investigação contra Alexandre de Moraes por sua suposta relação com Vorcaro

4 min

15/09/2026 15:49 • Atualizado há 1 dia

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) convocada para esta terça-feira (15) e que definirá se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por sua suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro teve algumas situações curiosas nos bastidores. A reportagem da Band presenciou troca de bilhete, abraço e até cochicho antes do recesso de almoço.

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A envio de bilhete ocorreu do ministro André Mendonça ao ministro Dias Toffoli. O conteúdo é desconhecido, mas Toffoli se declarou suspeito para votar na sessão desta terça-feira por motivo de foro íntimo. Já o cochicho no momento em que deixavam o plenário ocorreu entre Flávio Dino e André Mendonça.

Os ministros Dino e Edson Fachin, esse último presidente do STF, protagonizaram um abraço ao término da primeira parte da sessão, após trocarem farpas e acusações durante seus declarações anteriores. Os dois chegaram a se desentender por conta da forma como Dino pediu a palavra durante deliberação de Gilmar Mendes.

Dino também criticou a tomada da relatoria do Caso Master pelo presidente da Corte, até então sob cuidado de André Mendonça. Ele chegou ainda a enfatizar a igualdade entre os magistrados na Corte ao pontuar que a "capa de Vossa Excelência é igual à minha", defendendo o respeito ao princípio do juiz natural e ao tribunal de iguais.

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Outra curiosidade dos bastidores da sessão é a proximidade física de Moraes e Mendonça, que se sentam lado a lado no plenário. Apesar de manterem essa formação, os dois não trocaram olhares ou cumprimentos, apesar de teremos trocado farpas.

Moraes acusou Mendonça de ter exigido que a Polícia Federal incluísse um colega em colaboração premiada, afirmando possuir testemunhas entre policiais e advogados. Mendonça classificou a acusação como "mentira", sustentando que qualquer testemunha indicada iria mentir.

Como foi sessão até agora

Iniciada por volta das 10h30, a sessão foi aberta com a declaração do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmando que "não é um dia comum" e que "o país olha para esta Corte", apelando ao decoro e à serenidade dos magistrados. Na sequência, Kássio Marques Nunes e Dias Toffoli afirmaram que não votarão por impedimento ou suspeição.

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Na sequência, ocorreram acalorados embates regimentais e acusações diretas entre os ministros. Flávio Dino, por exemplo, criticou algumas condutas de Fachin na condução do caso, Gilmar Mendes acusou André Mendonça de ter uma agenda eleitoreira por trás da condução do Caso Master e Moraes e Mendonça discutiram sobre as investigações do caso.

A sessão foi interrompida às 13h, após exposição de Gilmar Mendes, e foi retomada às 15h.

A reação dos ministros na véspera

Antes da sessão, o ministro Alexandre de Moraes quebrou o silêncio e negou conversas com Vorcaro, classificando as acusações como "diálogos fantasiosos" e apontando que 90,4% das anotações do bloco de notas do banqueiro sequer constavam em chats reais do WhatsApp.

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Em petição encaminhada à Presidência do STF, Moraes acusou Mendonça de agir com fins eleitorais e sustentou que o julgamento representa uma tentativa de "vingança" por parte de aliados dos condenados pelo 8 de janeiro. Por sua vez, o ministro André Mendonça prestou esclarecimentos a Fachin sobre a Operação Compliance Zero, afirmando ter ouvido delegados em seu gabinete por cautela após relatórios citarem os nomes do diretor-geral da PF e do PGR em anotações do empresário.

Determinação de Fachin e abertura do sigilo

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, retirasse o sigilo das investigações. Mendonça cumpriu a ordem na mesma noite, liberando o acesso público aos autos do processo.

A abertura das peças trouxe relatórios da Polícia Federal que detalham a frequência de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de revelar o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.

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Confronto de ministros e disputa pela transparência

Na sexta-feira (11), a tensão interna escalou quando o ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total de todos os procedimentos e documentos relacionados ao caso.

Moraes acusou Mendonça de realizar uma "escolha seletiva" na divulgação de inquéritos e de omitir 180 documentos. Em resposta, Fachin deu 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso.

Por sua vez, Mendonça rebateu as acusações de Moraes e negou ter ocultado documentos, classificando a tabela apresentada como "imprestável" e esclarecendo que as divergências decorriam do funcionamento do sistema eletrônico.

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Horário e onde assistir ao vivo ao julgamento no STF

A sessão do plenário começou às 10h desta terça (15), com transmissão aberta ao público. Quem quiser acompanhar ao vivo tem as opções de ver pela televisão, rádio e plataformas digitais.