Moraes quebra silêncio e nega conversas com Vorcaro: "Diálogos fantasiosos"
Em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15), dia em que será julgado por seus pares por supostas conversas com o empresário

Em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15), dia em que será julgado por seus pares por supostas conversas com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ministro Alexandre de Moraes rebateu categoricamente as acusações baseadas em relatórios de análise da Polícia Federal.
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Moraes classificou as narrativas de supostos contatos com o banqueiro como construções sem respaldo técnico ou factual e destacou a inexistência de dados brutos que comprovem qualquer mensagem enviada por ele.
Ao abordar os rumores sobre trocas de mensagens e diálogos mantidos com o executivo, o ministro expressou sua negativa de forma direta no texto da petição:
"Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro, supostamente relacionadas a 'Operação Compliance'. MENSAGENS MINHAS que nunca existiram. DIÁLOGOS FANTASIOSOS".
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Segundo o magistrado, o relatório tentou imputar responsabilidade com base em anotações unilaterais encontradas no celular do investigado. Moraes destacou a impossibilidade conceitual de se falar em diálogo quando não há registro de respostas ou envios de sua autoria:
"As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES".
90% das anotações não têm correspondência em conversas
Ao analisar a metodologia pericial, a defesa enfatizou que a quase totalidade dos fragmentos citados na investigação sequer constava em chats de aplicativos de mensagem. A petição expõe a ausência de cruzamento de dados e critica a divulgação de inferências como se fossem fatos provados:
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"Das 52 notas apresentadas (extraídas do bloco de NOTAS de Daniel Vorcaro), 47 não foram nem localizadas na área de conversação do whatzap. REPITO: NÃO FORAM LOCALIZADAS EM CONVERSAÇÃO ALGUMA NO WHATZAAP. NÃO EXISTE NENHUMA CORRESPONDÊNCIA EFETIVA COM MENSAGEM REALMENTE ACHADAS NO WHATZAP. Algo bizarro. Não existe a mera comprovação de que efetivamente foram enviadas mensagens. Vejam: 90,4% do conjunto é inferência. Mas a divulgação preferiu ignorar a VERDADE. Das 52 notas apresentadas, 47 não foram localizadas em nenhuma conversa. Noventa por cento das comunicações que ela atribui a um destinatário determinado nunca foram encontradas em conversa alguma. Não contém dados brutos".
O ministro reafirmou que nenhuma das peças juntadas aos autos indica qualquer tipo de consultoria ou atuação irregular em favor das partes investigadas:
"O mais grave, porém, é que não há NENHUMA, ABSOLUTAMENTE NENHUMA MENSAGEM de autoria do Ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial. Isso também foi ignorado pelas ilações do relatório encomendado".
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Êxito operacional e atuação do escritório Barci de Moraes
Para afastar a tese de vazamentos ou favorecimentos, a petição ressalta que a operação policial transcorreu com total êxito e resultou na prisão regular de Vorcaro. O texto enfatiza que as circunstâncias da prisão demonstram a ausência de qualquer aviso prévio por parte do ministro ao investigado:
"NÃO É LÓGICO, RAZOÁVEL E PLAUSÍVEL concluir que houve eventual vazamento de informações e favorecimentos, pois houve o total êxito da 'Operação Compliance'. Novamente é importante repetir, que a prisão foi normalmente realizada, inclusive com a apreensão do instrumento mais importante para a investigação – o celular do investigado. E a prisão não foi realizada em um aeroporto clandestino, em uma pista de pouso no interior do Brasil. Como dito em item anterior, a prisão foi realizada no momento do embarque na alfandega do maior aeroporto do País (André Franco Montoro/Cumbica-SP), com passaporte verdadeiro e o investigado portando seu próprio celular, facilitando, dessa maneira, a apreensão e as investigações e demonstrando que não tinha nenhum conhecimento da existência de mandado de prisão contra si".
A manifestação esclarece ainda a situação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, composto por seus familiares, reiterando a legalidade da prestação de serviços e a inexistência de atuação perante o STF:
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"O escritório esclareceu ainda que nunca atuou em nenhuma causa para o Banco Master ou de Daniel Vorcaro no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal). REPITO: Nenhuma. E o Ministro Alexandre de Moraes jamais atuou em qualquer caso envolvendo o escritório Barci de Moraes".
Por fim, o magistrado ressaltou a total ausência de atuação jurisdicional vinculada às instituições citadas:
"Importante salientar, também, que o Ministro Alexandre de Moraes JAMAIS JULGOU qualquer processo do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato. Não há qualquer sentença, decisão ou ato de ofício de sua autoria em relação ao Banco Master ou Daniel Vorcaro".
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Horário e onde assistir ao vivo ao julgamento no STF
A sessão do plenário começa a partir das 10h desta terça (15), com transmissão aberta ao público. Quem quiser acompanhar ao vivo terá opções em televisão, rádio e plataformas digitais.
- Quando: a partir das 10h
- Transmissão: Band.com.br, na BandNews TV, no Bandplay, no YouTube de Band Jornalismo nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.
A reação dos ministros na véspera e no dia do julgamento
Antes da sessão, o ministro Alexandre de Moraes quebrou o silêncio e negou conversas com Vorcaro, classificando as acusações como "diálogos fantasiosos" e apontando que 90,4% das anotações do bloco de notas do banqueiro sequer constavam em chats reais do WhatsApp.
Em petição encaminhada à Presidência do STF, Moraes acusou Mendonça de agir com fins eleitorais e sustentou que o julgamento representa uma tentativa de "vingança" por parte de aliados dos condenados pelo 8 de janeiro. Por sua vez, o ministro André Mendonça prestou esclarecimentos a Fachin sobre a Operação Compliance Zero, afirmando ter ouvido delegados em seu gabinete por cautela após relatórios citarem os nomes do diretor-geral da PF e do PGR em anotações do empresário.
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Determinação de Fachin e abertura do sigilo do Caso Master
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, retirasse o sigilo das investigações. Mendonça cumpriu a ordem na mesma noite, liberando o acesso público aos autos do processo.
A abertura das peças trouxe relatórios da Polícia Federal que detalham a frequência de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de revelar o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.
Confronto entre ministros e a disputa pela transparência integral
Na sexta-feira (11), a tensão interna escalou quando o ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total de todos os procedimentos e documentos relacionados ao caso.
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Moraes acusou Mendonça de realizar uma "escolha seletiva" na divulgação de inquéritos e de omitir 180 documentos. Em resposta, Fachin deu 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso.
Por sua vez, Mendonça rebateu as acusações de Moraes e negou ter ocultado documentos, classificando a tabela apresentada como "imprestável" e esclarecendo que as divergências decorriam do funcionamento do sistema eletrônico.
Manutenção do julgamento e decisões de Fachin
Embora o ministro Gilmar Mendes tenha sugerido adiar a sessão sobre a conduta de Moraes, o presidente Edson Fachin decidiu, no sábado (12), manter o julgamento extraordinário.
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Fachin negou o pedido para julgar Mendonça junto de Moraes na próxima semana, pautando o processo contra Mendonça para 23 de setembro. Além disso, Fachin assumiu a relatoria de procedimento que envolve Moraes no caso Master e confirmou que a sessão sobre a conduta de Moraes terá transmissão ao vivo.
Na segunda (14), o STF definiu o rito da sessão sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes, estabelecendo o passo a passo regimental da deliberação plenária, que incluirá a leitura do relatório por André Mendonça, manifestações da PGR, sustentações orais, votação individual dos ministros e a proclamação do resultado por Fachin.
Para conter o clima de tensão no Plenário, Fachin avaliou separar fisicamente Mendonça e Moraes na bancada dos ministros, enquanto o esquema de segurança da Praça dos Três Poderes foi reforçado com fechamento de vias e monitoramento por drones.
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Força-tarefa nos gabinetes e análise do celular de Vorcaro
Entre domingo (13) e segunda-feira (14), a PF enviou os dados do celular de Vorcaro a Zanin, Gilmar e Moraes. As equipes dos três gabinetes organizaram uma força-tarefa no celular de Vorcaro para confrontar Mendonça. O objetivo da varredura foi mapear interações e verificar se haviam ocorrido omissões no relatório inicial apresentado ao plenário.
Novas frentes de investigação e relatórios de inteligência financeira
Na segunda (14), Mendonça atendeu a Fachin e derrubou o sigilo da rede de pagamentos de Vorcaro, após a PGR apoiar o novo pedido de abertura de sigilo. Na mesma data, o Coaf apontou transações do Caso Master com autoridades com foro privilegiado, registrando ter segregado dados de autoridades do STJ e do STF por restrições legais.
Ramificações políticas e reações oficiais
O acervo revelou que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, que um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro. Além disso, relatórios da Polícia Federal indicaram que aliados de Vorcaro acionaram o PCC para protegê-lo na prisão após sua detenção em novembro de 2025.
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No campo político, Flávio Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito Dark Horse, enquanto a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas a um fundo nos EUA. O presidente Lula, logo após a determinação da queda do sigilo do Caso Master na quinta (10), declarou que se Moraes e Mendonça forem culpados, eles têm de pagar.
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