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Bastidores de Brasília

PF envia dados de celular de Vorcaro a Zanin, Gilmar e Moraes

A Polícia Federal enviou nesta segunda-feira (14) aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes os

7 min

14/09/2026 11:27 • Atualizado há 40 dias

A Polícia Federal enviou nesta segunda-feira (14) aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes os dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, que estão no centro de uma disputa interna na Corte.

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O envio ocorre após Zanin determinar, em despacho de domingo (13), que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, entregasse até 23h daquele dia uma cópia da mídia presente no telefone de Vorcaro. A PF já havia recebido pedidos semelhantes de Gilmar Mendes e de Alexandre de Moraes.

Segundo as decisões, os dados devem ser repassados em sua integralidade aos gabinetes, que agora irão analisar o material. Os ministros pretendem utilizar as informações no julgamento marcado para terça-feira (15), que tratará das conversas entre Vorcaro e Moraes.

Julgamento sobre conversas entre Moraes e Vorcaro

No despacho, Cristiano Zanin afirma que a cópia da mídia vai instruir o processo que discute o conteúdo das mensagens trocadas entre o banqueiro e o ministro. O plenário do STF deve analisar se há elementos para que Moraes seja investigado pela relação com Vorcaro.

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Zanin registra que a própria Polícia Federal informou poder fornecer os dados aos demais integrantes da Corte, tal como já fez com o relator do inquérito do Master, ministro André Mendonça. De acordo com o despacho, Mendonça mantém em seu gabinete cópia integral da mídia.

Zanin contesta restrições ao acesso de provas

O ministro também ressalta que esse mesmo material foi compartilhado com os advogados de Daniel Vorcaro e com o Congresso Nacional, para instruir a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, por determinação de André Mendonça. Para Zanin, se o relator que acusa Moraes tem as provas, todos os ministros precisam ter acesso equivalente.

No documento, Zanin reforça que não há hierarquia entre os integrantes do Supremo Tribunal Federal. Ele avalia que a isonomia entre os julgadores exige que todos disponham do mesmo conjunto de informações antes de decidir sobre a conduta de um colega de Corte.

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Zanin ainda sustenta que "não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência". Na visão do ministro, esse dever afasta argumentos para limitar o compartilhamento da mídia.

Gilmar quer conferir relatório sobre relação com banqueiro

Em manifestação enviada à Polícia Federal, Gilmar Mendes também pediu acesso às informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Segundo ele, sem o conteúdo integral do aparelho "não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório" sobre a relação entre Moraes e o banqueiro.

Para Gilmar, é necessário conferir "a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção" de dados que embasa o relatório. Conforme aponta o ministro, só a análise direta da mídia permitirá verificar se o documento reflete com precisão as conversas obtidas.

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Movimento aumenta tensão interna no STF

Os pedidos e despachos de Zanin e Gilmar ocorrem às vésperas do julgamento que pode levar à abertura de investigação formal contra Alexandre de Moraes pela relação com Vorcaro. O posicionamento dos ministros aumenta a tensão interna no Supremo em torno das apurações ligadas ao extinto Banco Master.

Com o envio dos dados pela Polícia Federal, caberá agora aos gabinetes de Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes examinar o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro. As conclusões podem influenciar diretamente o resultado da sessão desta terça-feira e definir os próximos passos do inquérito do Master.

Abertura de todos os documentos e determinação do STF

A investigação teve um novo capítulo na tarde desta sexta (11). A Procuradoria-Geral da República, em manifestação oficial, pediu ao STF a queda total do sigilo de todos os documentos do Caso Master. Em resposta imediata, o ministro Edson Fachin atendeu ao pedido para liberar os documentos e deu 24 horas para André Mendonça retirar o sigilo total do caso. A medida ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes afirmar que Mendonça foi seletivo e pedir a queda total de sigilo, além de Cristiano Zanin solicitar a Fachin a íntegra da investigação na posse de Mendonça.

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Queda do sigilo e reações no STF e no Congresso

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) teve um novo desfecho após a determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, para que o relator do caso acatasse a abertura das investigações. A medida levou o ministro André Mendonça a retirar o sigilo do Caso Master, liberando o acesso público aos autos do processo na noite de quinta-feira (10).

A decisão gerou impacto imediato na classe política, gerando manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de parlamentares e de líderes do Congresso, onde políticos reagiram ao fim do sigilo do Caso Master Além disso, o julgamento gerou bastidores intensos na Corte, com o ministro Edson Fachin pressionado a fechar sessão no STF para debater de portas fechadas a situação dos magistrados citados.

Contratos e suspeitas envolvendo ministros do STF

Com a abertura dos documentos oficiais, relatórios da Polícia Federal detalharam pagamentos e contratos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com familiares e fundos ligados a magistrados. Entre as revelações, o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master foi divulgado, registrando honorários milionários por serviços jurídicos.

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Paralelamente, os relatórios apontaram novos indícios de irregularidades envolvendo outros integrantes da Corte, uma vez que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli em transações ligadas a fundos de investimento. Em declaração pública sobre a crise, o presidente Lula afirmou que Moraes e Mendonça devem pagar se forem culpados.

Operações ilegais, inteligência paralela e fuga de Vorcaro

A apuração sobre a atuação de Daniel Vorcaro revelou uma rede paralela de proteção e contrainteligência montada em favor do banqueiro. Segundo os relatórios, um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e monitorar adversários do empresário.

Apurações indicam ainda que Vorcaro desconfiou de um carro da PF e acionou milicianos para investigar agentes federais, além de a PF apontar a ação de Vorcaro para recuperar a conta de uma atriz em caso no qual o PCC acabou citado.

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Os investigadores registraram também que Vorcaro sabia da operação e planejou fuga para o exterior antes do cumprimento das ordens judiciais, contando com o apoio de uma servidora do MPF investigada por vazamento de dados.

Contabilidade paralela e influência em redes sociais

O mapeamento financeiro realizado pelos peritos expôs o organograma de gastos operacionais e estratégias de imagem do ex-controlador da instituição financeira.

As planilhas apreendidas mostraram que a PF expôs gastos milionários de Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que os agentes localizaram um quadro com o fluxo de caixa do Banco Master indicando movimentações suspeitas.

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Para blindar a imagem do banco e atacar críticos na internet, a PF mapeou 22 influenciadores suspeitos de campanha pró-Vorcaro.

Transações financeiras com órgãos públicos e fundos de pensão

As investigações do Caso Master e os desdobramentos operacionais revelaram um rastro de aplicações e transferências irregulares de recursos públicos e privados.

As análises demonstraram que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro, enquanto instituições públicas realizavam aportes sem o devido respaldo técnico, a exemplo do AparecidaPrev, que investiu R$ 40 milhões no Banco Master sem aval.

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Além disso, auditorias apontaram que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio da aquisição de carteiras de crédito em apenas cinco meses.

Ramificações políticas e a investigação Dark Horse

Em uma frente ligada aos desdobramentos das operações de busca e apreensão da Polícia Federal, o inquérito alcançou figuras do cenário político nacional.

A apuração que aponta o financiamento de uma produtora cinematográfica culminou no fato de que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela PF no inquérito Dark Horse. Relatórios apontam que Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes do áudio sobre o filme, embora o parlamentar tenha classificado as suspeitas como 'mais do mesmo' após a PF revelar o novo encontro. Em outra frente de investigação financeira no exterior, a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas de R$ 134 milhões a um fundo nos EUA.