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Política
Jornal da Noite

Moraes nega crimes e acusa rito de 'vingança' por condenações do 8/1

Moraes envia defesa de 44 páginas ao STF, aponta nulidade em inquérito e vê vingança do 8 de janeiro

7 min

15/09/2026 00:55 • Atualizado há 39 dias

O ministro Alexandre de Moraes protocolou nesta terça-feira (15) um documento de 44 páginas endereçado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, rechaçando integralmente as acusações e pedindo a anulação do relatório da Polícia Federal que embasa a sessão histórica marcada para hoje.

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No texto, Moraes nega ter cometido qualquer irregularidade em razão de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e atribui o rito a um sentimento de "vingança" por parte de aliados dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Na manifestação, a defesa do magistrado aponta a nulidade absoluta da apuração por ter sido instaurada "de ofício" por um magistrado incompetente — em referência à condução inicial de André Mendonça —, sem pedido formal da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo Moraes, a medida afronta o sistema acusatório previsto na Constituição Federal, a Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN) e o Regimento Interno do STF, que exigem a deliberação e autorização prévia do Plenário por maioria absoluta.

Moraes também desqualifica o teor do relatório da PF, classificando-o como baseado em meras ilações, conjecturas e recortes subjetivos de um "bloco de notas" extraído do celular de Daniel Vorcaro. O documento detalha que, das 52 notas apresentadas, 47 jamais foram localizadas em conversas reais do WhatsApp, o que significaria que mais de 90% do material consiste em suposições sem dados brutos ou comprovação de autoria.

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Quanto às citações ao escritório Barci de Moraes — pertencente à sua esposa e filhos —, o ministro esclareceu que houve apenas um único contrato de consultoria firmado com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, devidamente declarado e com emissão de notas fiscais, sem qualquer atuação em processos no Supremo. Moraes rechaçou ainda boatos sobre a suposta utilização de cartões de crédito e negou que seus filhos tenham frequentado a Arena MRV, em Belo Horizonte.

No trecho mais contundente do ofício, Moraes define "a farsa montada" como uma ação de motivação político-eleitoral:

"Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal. A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas assim como na primeira vez, o Supremo Tribunal Federal saberá resistir e sairá fortalecido, mantendo a Defesa plena da Constituição, do Estado de Direito e da democracia."

Mendonça também prestou esclarecimentos à presidência da Corte

Na véspera do julgamento, o ministro André Mendonça também encaminhou um despacho formal à Presidência do STF, respondendo a uma cobrança de 72 horas feita por Edson Fachin sobre os desdobramentos da Operação Compliance Zero.

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No documento, Mendonça reconta o histórico de sua relatoria, destacando que autorizou o fluxo ordinário de investigações e perícias da Polícia Federal em fevereiro de 2026 e decretou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro em março, fundamentando a existência de uma rede de monitoramento e influência com suposta infiltração em órgãos públicos.

O magistrado esclareceu, ainda, a motivação para a intimação presencial realizada em seu gabinete com delegados responsáveis pela investigação no dia 24 de agosto de 2026. Segundo Mendonça, a medida excepcional decorreu do teor de um relatório da Polícia Federal que indicava a menção ao Diretor-Geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, e ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em anotações do celular de Vorcaro. Diante do envolvimento das cúpulas dos órgãos, o ministro argumentou que agiu estritamente por cautela para preservar a compartimentação e a higidez dos autos.

Grupo Bandeirantes transmite julgamento ao vivo

A sessão extraordinária do plenário terá transmissão ao vivo pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube, além de cobertura nos canais do Band.com.br, da BandNews TV, no aplicativo Bandplay e nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.

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Horário e onde assistir ao vivo ao julgamento no STF

A sessão do plenário começa a partir das 10h desta terça (15), com transmissão aberta ao público. Quem quiser acompanhar ao vivo terá opções em televisão, rádio e plataformas digitais.

Determinação de Fachin e abertura do sigilo do Caso Master

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos desdobramentos na quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou que o relator do Caso Master, ministro André Mendonça, retirasse o sigilo das investigações. Mendonça cumpriu a ordem na mesma noite, liberando o acesso público aos autos do processo.

A abertura das peças trouxe relatórios da Polícia Federal que detalham a frequência de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de revelar o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master.

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Confronto entre ministros e a disputa pela transparência integral

Na sexta-feira (11), a tensão interna escalou quando o ministro Alexandre de Moraes e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram o levantamento total de todos os procedimentos e documentos relacionados ao caso.

Moraes acusou Mendonça de realizar uma "escolha seletiva" na divulgação de inquéritos e de omitir 180 documentos. Em resposta, Fachin deu 24 horas para que Mendonça retirasse todo o sigilo do caso.

Por sua vez, Mendonça rebateu as acusações de Moraes e negou ter ocultado documentos, classificando a tabela apresentada como "imprestável" e esclarecendo que as divergências decorriam do funcionamento do sistema eletrônico.

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Manutenção do julgamento e decisões de Fachin

Embora o ministro Gilmar Mendes tenha sugerido adiar a sessão sobre a conduta de Moraes, o presidente Edson Fachin decidiu, no sábado (12), manter o julgamento extraordinário.

Fachin negou o pedido para julgar Mendonça junto de Moraes na próxima semana, pautando o processo contra Mendonça para 23 de setembro. Além disso, Fachin assumiu a relatoria de procedimento que envolve Moraes no caso Master e confirmou que a sessão sobre a conduta de Moraes terá transmissão ao vivo.

Na segunda (14), o STF definiu o rito da sessão sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes, estabelecendo o passo a passo regimental da deliberação plenária, que incluirá a leitura do relatório por André Mendonça, manifestações da PGR, sustentações orais, votação individual dos ministros e a proclamação do resultado por Fachin.

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Para conter o clima de tensão no Plenário, Fachin avaliou separar fisicamente Mendonça e Moraes na bancada dos ministros, enquanto o esquema de segurança da Praça dos Três Poderes foi reforçado com fechamento de vias e monitoramento por drones.

Força-tarefa nos gabinetes e análise do celular de Vorcaro

Entre domingo (13) e segunda-feira (14), a PF enviou os dados do celular de Vorcaro a Zanin, Gilmar e Moraes. As equipes dos três gabinetes organizaram uma força-tarefa no celular de Vorcaro para confrontar Mendonça. O objetivo da varredura foi mapear interações e verificar se haviam ocorrido omissões no relatório inicial apresentado ao plenário.

Novas frentes de investigação e relatórios de inteligência financeira

Na segunda (14), Mendonça atendeu a Fachin e derrubou o sigilo da rede de pagamentos de Vorcaro, após a PGR apoiar o novo pedido de abertura de sigilo. Na mesma data, o Coaf apontou transações do Caso Master com autoridades com foro privilegiado, registrando ter segregado dados de autoridades do STJ e do STF por restrições legais.

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Ramificações políticas e reações oficiais

O acervo revelou que a PF apontou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, que um grupo de policiais recebia pagamentos para violar sistemas e que a cúpula da supervisão do Banco Central prestava consultoria a Vorcaro. Além disso, relatórios da Polícia Federal indicaram que aliados de Vorcaro acionaram o PCC para protegê-lo na prisão após sua detenção em novembro de 2025.

No campo político, Flávio Bolsonaro passou a ser investigado no inquérito Dark Horse, enquanto a PF indicou que Eduardo Bolsonaro orientou remessas a um fundo nos EUA. O presidente Lula, logo após a determinação da queda do sigilo do Caso Master na quinta (10), declarou que se Moraes e Mendonça forem culpados, eles têm de pagar.