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Alta do diesel gera custo extra de R$ 612 milhões para o agronegócio no RS

Estudo detalha impacto da alta de até 24% no combustível; soja e arroz são as culturas mais afetadas pelo aumento operacional e do frete

VIVIANE TAGUCHI

15/04/2026 • 16:54 • Atualizado em 15/04/2026 • 16:54

Arroz, soja, milho e trigo sofrem com custos extras devido à alta do diesel

Arroz, soja, milho e trigo sofrem com custos extras devido à alta do diesel

Paulo Rossini/Fedearroz

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou nesta quarta-feira (15) um estudo técnico que detalha o impacto da alta do diesel no agronegócio gaúcho. O levantamento aponta que a escalada de preços — impulsionada por tensões no Oriente Médio — deve gerar um custo extra de R$ 612,2 milhões para os produtores do estado.

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O aumento de aproximadamente 21% a 24% no preço do diesel no Rio Grande do Sul afeta diretamente os custos operacionais das máquinas e o frete agrícola. Segundo a assessoria econômica da Farsul, o impacto total de R$ 612,2 milhões se distribui de forma desigual entre as principais culturas do estado.

A soja sofre o maior impacto absoluto, com um custo adicional de R$ 313,9 milhões, devido à sua vasta área plantada em solo gaúcho. Na sequência, os produtores de arroz devem arcar com R$ 170,9 milhões extras. O milho e o trigo também registram aumentos significativos, com impactos de R$ 47,0 milhões e R$ 48,2 milhões, respectivamente.

O estudo da Farsul divide o prejuízo em duas frentes principais de atuação no campo, como as operações mecânicas, que representam um aumento de R$ 412,2 milhões nos gastos com tratores e colheitadeiras durante o trabalho de campo, e o frete agrícola, que gera um custo adicional de R$ 200 milhões para o transporte da safra das propriedades até os pontos de recebimento e portos.

Fatores externos e geopolítica

O relatório destaca que o diesel deixou de ser apenas um insumo operacional para se tornar um dos principais vetores de risco em 2026. A instabilidade no Oriente Médio, especificamente os conflitos envolvendo o Irã e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, foi o gatilho para a disparada dos preços locais.

Mesmo sem anúncios oficiais frequentes da Petrobras no início do período, a volatilidade internacional pressionou os valores no mercado interno. O cenário global de incerteza energética impacta diretamente a competitividade do produtor rural brasileiro.

A Farsul alerta para um "efeito cascata" na economia gaúcha e brasileira. O aumento no custo de produção e transporte deve chegar à gôndola dos supermercados, pressionando a inflação de alimentos.

A pressão inflacionária pode dificultar a redução da taxa Selic pelo Banco Central, elevando também o custo do crédito rural para a próxima safra (2026/27). Com os preços das commodities estáveis ou sob pressão, a margem de lucro do agricultor é drasticamente reduzida. O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, reforça que o cenário é de extrema volatilidade. Ele avalia que o planejamento financeiro do produtor gaúcho será um desafio crítico para o restante do ano.