A captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, em uma operação militar coordenada pelos Estados Unidos, abre um período de incerteza sobre o futuro político da Venezuela.
Em entrevista à Band, o professor de relações internacionais Sidney Leite avaliou que a dimensão da ofensiva, envolvendo forças terrestres, aéreas e navais, surpreendeu pela amplitude e rapidez, sugerindo uma possível conivência interna dentro do próprio governo venezuelano para viabilizar a transição.
Segundo Leite, embora uma ocupação militar prolongada seja um cenário possível, ele acredita em uma transição mediada. "O mais provável e o melhor para a Venezuela é uma transição, uma transição negociada da ditadura em direção à democracia, principalmente com protagonismo dos venezuelanos, das forças políticas e sociais da Venezuela", afirmou.
Sobre a participação de outros países, ele ressaltou a importância do bloco regional: "Haverá uma mediação direta ou indireta dos Estados Unidos e dos demais atores latino-americanos. Acho que aí o Brasil, a própria Colômbia, têm um papel relevante nesse contexto", explicou.
O professor também ponderou sobre o risco de instabilidade interna caso não haja organização: "Um outro cenário é você ter uma guerra civil. Os Estados Unidos entram, tiram o ditador, mas deixam as forças políticas e sociais de forma anárquica nesse momento. Acho que o Brasil tem um papel importante a desempenhar", avaliou.
Para ele, a continuidade do regime sem a figura central é improvável: "Acho muito pouco provável a continuidade do regime de Maduro sem o Maduro, com uma nova liderança".
Trump diz que vai governar a Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou os bombardeios em Caracas, na Venezuela, e a captura de Nicolás Maduro na madrugada deste sábado (3). Em entrevista coletiva, afirmou que a ofensiva foi uma “primeira onda” e que os militares permanecerão na região para agir novamente, se necessário.
Trump disse que, por enquanto, haverá “uma transição pacífica” na Venezuela:
Queremos paz, liberdade para as pessoas ótimas da Venezuela. Temos muitos venezuelanos vivendo nos Estados Unidos que querem voltar para o país. Não podemos deixar que outra pessoa tome conta da Venezuela e das pessoas venezuelanas, da mente delas, após décadas de um governo como esse. Não vamos deixar isso acontecer. Porque as pessoas não entendem, mas elas vão entender um dia. Nós vamos ficar por lá até um certo tempo de tempo para conseguir garantir uma transição adequada.
O presidente também sugeriu a possibilidade de novos ataques, reiterando que a ofensiva foi a “primeira onda”:
Vamos nos preparar para reagir a uma segunda onda, se for necessário, mas, por enquanto, talvez não seja. Essa foi a primeira onda, com um ataque de segunda onda. Até aqui muito bem-sucedido. E aí teremos uma segunda onda muito maior. Temos uma onda muito maior por vir.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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