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Crise na Venezuela: Sidney Leite vê renascimento da Doutrina Monroe 2.0

O especialista analisa o impacto global das recentes ações dos EUA na Venezuela e como o governo Trump sinaliza uma nova era estratégica nas Américas.

Da redação
DA REDAÇÃO

04/01/2026 • 20:14 • Atualizado em 04/01/2026 • 20:14

Sidney Leite no Canal Livre

Sidney Leite no Canal Livre

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O historiador e especialista em relações internacionais Sidney Leite afirmou, durante participação no Canal Livre, que os recentes acontecimentos na Venezuela transcendem a crise regional e marcam a consolidação de uma "Doutrina Monroe 2.0" sob a gestão de Donald Trump. Para o analista, a mobilização de altas patentes do governo americano em torno da questão venezuelana sinaliza uma mudança profunda na estratégia de política externa dos Estados Unidos para o continente.

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Leite destacou que a dimensão global do fato ficou evidente na recente conferência de imprensa que contou com a participação do próprio presidente Trump, acompanhado de figuras centrais como o senador Marco Rubio e lideranças militares. Segundo ele, essa movimentação não é isolada, mas a aplicação prática de diretrizes estabelecidas pela Casa Branca em documentos estratégicos recentes.

O impacto global e a estratégia de Donald Trump

De acordo com o especialista, o que o mundo testemunha agora é a efetivação de uma estratégia que vinha sendo desenhada nas últimas semanas. Sidney Leite recorda que a política externa do governo Trump já havia sido sintetizada em documentos oficiais, mas a ação direta em relação à Venezuela serve como a "prova de fogo" e a demonstração clara de força dessa nova postura americana.

"Os acontecimentos da Venezuela não têm uma repercussão apenas regional, eles têm uma dimensão global", explicou Leite. O historiador ressaltou que a presença de nomes como Peter Bryan e Marco Rubio na linha de frente da comunicação do governo americano demonstra o peso que a Casa Branca atribui ao desfecho da crise política e social no país sul-americano.

A análise aponta que os Estados Unidos buscam reafirmar sua influência na região, enviando uma mensagem não apenas aos vizinhos latinos, mas também a potências globais que possuem interesses no território venezuelano, como Rússia e China.

Entenda o conceito da Doutrina Monroe 2.0

O ponto central da análise de Sidney Leite é a atualização de um conceito histórico do século XIX: a Doutrina Monroe. Originalmente sintetizada pela frase "A América para os americanos", a doutrina visava impedir a interferência europeia no continente. No contexto atual, Leite identifica o que chama de "Doutrina Monroe 2.0", uma versão adaptada ao século XXI e às novas dinâmicas de poder global.

Para o entrevistado, essa nova roupagem da doutrina reflete uma postura mais assertiva e menos pautada pelo multilateralismo tradicional. Ele defende que a estratégia de política externa do governo Trump utiliza a crise na Venezuela para restabelecer a hegemonia americana no Hemisfério Ocidental, deixando claro que os Estados Unidos estão dispostos a liderar ações decisivas em sua zona de influência primária.

"Vimos ontem uma demonstração clara do que seria a doutrina Monroe nesse contexto. Portanto, tem uma dimensão que extrapola a esfera regional. O impacto dos fatos é, de fato, global", concluiu o especialista.

A análise de Leite sugere que os desdobramentos em Caracas serão o termômetro para as relações internacionais nos próximos anos, definindo os limites da intervenção e da diplomacia na era Trump.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.