Band Jornalismo

De ex-militante à presidente da Venezuela: relembre trajetória de Maduro

Atual presidente do país tem carreira repleta de polêmicas e crises, que culminaram na miséria da nação

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

27/07/2024 • 17:11 • Atualizado em 27/07/2024 • 17:11

Atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro é ex-militante da Liga Socialista do país. Sua trajetória política, no entanto, não começou de forma tradicional. Maduro trabalhava como maquinista do metrô de Caracas quando iniciou a carreira política como sindicalista não oficial.

Compartilhar

A partir da atuação sindical, foi eleito e reeleito deputado e, posteriormente, integrou o gabinete do Ministério das Relações Exteriores. A pedido de Hugo Chávez, então presidente, foi nomeado vice-presidente executivo e assumiu o comando do país em 2011, quando Chávez se licenciou para tratar um câncer na região pélvica.

Maduro chegou à Presidência da Venezuela após a morte de Hugo Chávez, em 2013. Sua gestão, porém, foi marcada por polêmicas e sucessivas crises internas e externas.

Captura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na manhã deste sábado (3) que forças norte-americanas realizaram ataques na Venezuela. Segundo ele, Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados e retirados do país por via aérea.

Ainda de acordo com Trump, a operação foi conduzida em conjunto com forças de segurança dos Estados Unidos.

Por outro lado, o governo venezuelano, então liderado por Maduro, acusou formalmente os EUA de uma “agressão militar” e declarou estado de emergência em todo o país na madrugada deste sábado, no horário local.

A medida foi anunciada após uma série de fortes explosões serem ouvidas em Caracas, capital venezuelana, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Relatos de testemunhas e de agências internacionais confirmam o som de explosões e o sobrevoo de aeronaves militares em baixa altitude, o que levou ao fechamento do espaço aéreo para voos civis.

Relembre polêmicas

Em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Constituinte sem aval do Parlamento e composta exclusivamente por aliados, esvaziando os poderes da Assembleia Nacional, então dominada pela oposição.

Reeleito para um novo mandato de seis anos, o processo eleitoral não foi reconhecido pela oposição nem por organismos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia, além de países como Brasil e Estados Unidos.

No ano seguinte, a Assembleia Nacional declarou o mandato de Maduro ilegítimo. Ainda assim, ele tomou posse em 10 de janeiro de 2019 perante o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, e não diante da Assembleia Nacional, como prevê a Constituição.

Esse episódio marcou o início de uma prolongada crise política no país, que se estendeu até 2023, com acusações de crimes contra a humanidade, denúncias de corrupção, sanções internacionais e episódios recorrentes de violência política.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.

Tópicos relacionados