
Trump
Jonathan Ernst/Reuters
O governo dos Estados Unidos deve intensificar a pressão militar e econômica sobre a Venezuela, mas sem assumir a administração direta do país. É o que acreditam diplomatas ouvidos pelo repórter Túlio Amâncio, da TV Band.
A estratégia norte-americana, segundo a avaliação nessas primeiras horas após a captura do ditador Nicolás Maduro, é usar sanções, bloqueio naval e ameaça de força para obter mudanças políticas e econômicas no novo governo venezuelano.
Segundo fontes do governo brasileiro, a estratégia de Washington busca constranger politicamente a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, vice do ex-presidente Nicolás Maduro, preso recentemente em uma operação militar conduzida pelos EUA.
A leitura de integrantes do Itamaraty é que Trump evita assumir formalmente qualquer papel de ocupação ou administração direta, mas não descarta ampliar a presença militar caso considere necessário para defender interesses norte-americanos.
Os Estados Unidos devem manter uma espécie de quarentena militar sobre as exportações de petróleo venezuelano. Forças navais norte-americanas seguem impedindo a circulação de petroleiros incluídos em listas de sanções, condicionando o fim das restrições à abertura da indústria petrolífera estatal a investimentos estrangeiros, com preferência para empresas americanas.
Autoridades americanas afirmam que o bloqueio é um instrumento de pressão para reestruturar o setor de petróleo, controlado pelo Estado e enfraquecido por anos de sanções e falta de investimentos. O petróleo é tratado pelo governo Trump como o principal ativo estratégico da Venezuela e peça central da ofensiva contra o antigo regime.
O governo Trump mantém uma das maiores mobilizações navais recentes no Caribe, com o objetivo de limitar a capacidade de Caracas de gerar receita com exportações. A operação já resultou na abordagem de petroleiros que transportavam petróleo venezuelano para a Ásia e na perseguição a navios suspeitos de tentar driblar as sanções impostas por Washington.
Em Caracas, o discurso oficial permanece de enfrentamento. Autoridades venezuelanas acusam os Estados Unidos de violar a soberania nacional e exigem a devolução de Maduro e de sua esposa, transferidos para um centro de detenção em Nova York. A presidente em exercício classificou a operação americana como ilegal e reafirmou a legitimidade do ex-presidente.
Embora sinalize disposição para dialogar com a atual liderança venezuelana, o governo Trump condiciona qualquer avanço a ações concretas, como o combate ao narcotráfico e mudanças na gestão do setor petrolífero. Para diplomatas brasileiros, trata-se de uma política de coerção contínua, com alto grau de pressão militar, mas sem compromisso explícito com uma ocupação formal do país.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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