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Conselho da ONU discutirá crise na Venezuela na segunda, diz Itamaraty

A secretária-geral do Itamaraty afirma que o país manterá posição contra invasões territoriais em debate convocado para a próxima segunda-feira (5).

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

03/01/2026 • 20:34 • Atualizado em 03/01/2026 • 20:39

Bandeira da Venezuela

Bandeira da Venezuela

REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

A secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou na noite deste sábado (3) que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reunirá na próxima segunda-feira (5) para discutir a crise na Venezuela. A convocação ocorre após o ataque promovido pelos Estados Unidos contra o território venezuelano neste fim de semana.

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Posicionamento diplomático e soberania

Durante pronunciamento após a segunda reunião de emergência do governo brasileiro, Maria Laura da Rocha reiterou que o Brasil mantém sua postura tradicional de respeito ao direito internacional. Ela destacou que o país se posiciona contra qualquer tipo de invasão territorial e em defesa da soberania das nações.

Segundo a secretária-geral, a posição que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou na manhã deste sábado será a mesma defendida na reunião do Conselho de Segurança. "O Brasil vai participar e repetirá tudo isso", afirmou a diplomata, ressaltando que o encontro na ONU deverá ser aberto.

Lula, que participou da reunião por videoconferência do Rio de Janeiro, já havia condenado publicamente a ofensiva do governo de Donald Trump. O presidente brasileiro classificou o ataque norte-americano como uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e afirmou que a ação ultrapassa uma "linha inaceitável".

Articulação regional e comando venezuelano

Além do debate nas Nações Unidas, o governo brasileiro articula um encontro com ministros das Relações Exteriores da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). A previsão é que a reunião ocorra por videoconferência na tarde de domingo, às 14h (horário de Brasília).

O ministro Mauro Vieira, que não esteve presente no encontro desta tarde por estar em deslocamento para a capital federal, deve participar das próximas etapas da interlocução regional.

Questionada sobre o reconhecimento do comando do Executivo na Venezuela neste momento de crise, Maria Laura da Rocha informou que o Brasil trata a vice-presidente Delcy Rodríguez como a responsável pelo poder no país vizinho. A embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, também integrou as discussões do gabinete de crise.

Situação na fronteira e repatriação

O governo também monitora a situação dos brasileiros na região. De acordo com o Itamaraty, cerca de 100 brasileiros que estavam na Venezuela a turismo conseguiram retornar ao Brasil pela fronteira sem incidentes.

O ministro da Defesa, José Múcio, assegurou que o movimento na divisa entre os dois países permanece mínimo e que a fronteira continua aberta. "O governo está atento a novos acontecimentos que podem alterar esse status", pontuou o ministro, reforçando a vigilância das Forças Armadas na região norte.

A reunião de emergência contou ainda com a presença da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e a participação remota dos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Sidônio Palmeira (Secom).

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.