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Trump afirma que operação na Venezuela é mensagem direta a Cuba

Presidente dos EUA classifica ilha como "nação falida" e afirma que sistema político local faz a população sofrer há décadas

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

03/01/2026 • 15:43 • Atualizado em 03/01/2026 • 15:48

Donald Trump

Donald Trump

REUTERS/Anna Rose Layden

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que a recente operação militar na Venezuela serve como um aviso direto a Cuba. Durante conferência de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida, o republicano criticou severamente a gestão do país caribenho, afirmando que o atual sistema não tem sido benéfico para os cubanos.

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Trump caracterizou Cuba como uma "nação falida" e expressou o desejo de ajudar tanto os que permanecem na ilha quanto os exilados que vivem em solo americano. Sem citar nominalmente o presidente Miguel Díaz-Canel, o mandatário destacou que o povo cubano tem sofrido por muitos anos sob o atual regime.

Rubio aponta colapso e influência em Caracas

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou o posicionamento de Trump, classificando a situação de Cuba como um "desastre" administrado por "homens incompetentes". Segundo o secretário, a economia cubana enfrenta um colapso total, o que agrava o cenário de instabilidade na região.

Para o jornalista e analista político, as aspas de Rubio indicam uma ligação direta entre os dois países. O secretário acusou Cuba de proteger o sistema de Nicolás Maduro através de agências de espionagem. "Ajudaram a proteger Maduro, isso é bem conhecido; tudo estava cheio de cubanos", declarou Rubio, acrescentando que a independência em relação a Cuba é um dos maiores desafios dos venezuelanos.

Avisos ignorados por Nicolás Maduro

De acordo com o governo americano, a operação militar ocorrida na madrugada deste sábado (3) poderia ter sido evitada. Marco Rubio afirmou que Nicolás Maduro recebeu diversas "ofertas generosas" dos Estados Unidos para abdicar do poder pacificamente, mas optou por ignorar as propostas diplomáticas.

"Ele escolheu, em vez disso, agir como um homem selvagem", pontuou o secretário de Estado. Para a administração Trump, a postura de Maduro deixou os EUA sem alternativa a não ser a intervenção, após o líder venezuelano ter escolhido "brincar" com as negociações oferecidas pela Casa Branca.

Estratégia de Trump e lições futuras

A cúpula do governo americano enfatiza que as declarações de Donald Trump não devem ser encaradas apenas como retórica, mas como prelúdio para ações práticas. Rubio ressaltou que, quando o presidente identifica uma ameaça direta ao interesse nacional dos Estados Unidos, ele age para neutralizá-la.

O secretário ponderou, no entanto, que Trump não procura conflitos e deseja "dar-se bem com todos". Contudo, o presidente americano deixou um aviso claro a outros líderes globais após o desfecho na Venezuela: "Não brinquem com este presidente no cargo, porque não vai acabar bem". A expectativa da Casa Branca é que a operação sirva de exemplo instrutivo para as relações internacionais daqui por diante.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.