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Trump afirma que venderá petróleo venezuelano para a Rússia após operação

Presidente americano projeta exportação da commodity em larga escala e diz que Venezuela produzia pouco devido à "estrutura ruim"

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

03/01/2026 • 15:46 • Atualizado em 03/01/2026 • 15:54

Donald Trump

Donald Trump

REUTERS/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano pretende comercializar petróleo com a Rússia assim que a situação na Venezuela se estabilizar.

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Em entrevista de imprensa sobre a recente operação militar no país sul-americano, o republicano afirmou que os EUA estão agora "no negócio do petróleo" e planejam expandir a venda da commodity no mercado global.

Segundo Trump, o volume de exportações deverá ser significativamente superior ao registrado anteriormente. Ele avaliou que a Venezuela não conseguia atingir níveis elevados de produção em razão de uma “estrutura ruim” no setor petrolífero, problema que, segundo ele, os norte-americanos pretendem superar para fornecer grandes quantidades do produto a diversos países.

Relação com Putin e críticas à guerra

Apesar da intenção de vender petróleo a Moscou, Trump demonstrou insatisfação com o presidente russo, Vladimir Putin. O mandatário afirmou que Putin está "matando muitas pessoas" na guerra contra a Ucrânia, conflito que classificou como uma herança negativa da gestão anterior e de líderes estrangeiros.

"Acho que estamos fazendo progressos, mas essa é uma guerra que nunca deveria ter acontecido. Se eu fosse presidente, isso nunca teria acontecido, mas herdei essa guerra de Joe Biden, Zelensky e Putin", declarou Trump.

O presidente ressaltou que o embate resulta na perda diária de milhares de vidas em locais distantes.

Foco em acordos internacionais

Trump voltou a afirmar que confia na capacidade de encerrar conflitos por meio de negociações diretas. Segundo ele, sua habilidade para firmar acordos pode ser o diferencial para pôr fim à guerra na Europa, que descreveu como uma tragédia humanitária evitável.

"Temos que fazer alguma coisa, porque perdemos 25 mil a 30 mil seres humanos. Mas se eu puder parar (a guerra), porque é algo em que sou muito bom, fazer acordos", comentou.

Trump indicou ainda que novos parceiros comerciais devem surgir para o petróleo sob influência norte-americana, além dos países que já utilizam o recurso.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.