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UE pede 'calma' e solução pacífica após queda de Maduro na Venezuela

Bloco ressalta falta de legitimidade de Maduro e cobra respeito à soberania e aos direitos humanos

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

04/01/2026 • 18:41 • Atualizado em 04/01/2026 • 18:48

União Europeia

União Europeia

Agência Brasil

A União Europeia (UE) divulgou uma declaração oficial neste domingo (4) apelando por "calma e moderação" de todos os atores envolvidos na crise institucional da Venezuela. O pronunciamento, publicado pela chefe de Relações Exteriores e Segurança do bloco, Kaja Kallas, destaca a necessidade de evitar a escalada das tensões e priorizar uma saída pacífica para o impasse no país sul-americano.

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No documento, o grupo reforça que os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados sob qualquer circunstância. A UE pontuou ainda que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas possuem a responsabilidade singular de zelar por esses fundamentos diante da atual conjuntura.

Defesa da soberania e transição democrática

O bloco europeu reiterou sua posição de que Nicolás Maduro carece de legitimidade como presidente democraticamente eleito. A declaração enfatiza o apoio a uma transição pacífica para a democracia, frisando que o processo deve ser liderado pelos próprios venezuelanos, com total respeito à soberania nacional.

"O direito do povo venezuelano de determinar seu futuro deve ser respeitado", afirma o comunicado. Para viabilizar esse objetivo, a UE informou que mantém articulação próxima com os Estados Unidos e parceiros regionais, buscando fomentar um diálogo inclusivo e negociado entre todas as partes.

Cooperação contra o crime e proteção de cidadãos

Embora tenha manifestado preocupação com ameaças globais como o tráfico de drogas e o crime organizado internacional, a União Europeia defendeu que o enfrentamento a esses problemas ocorra por meio da cooperação internacional. O bloco sublinhou que tais ações não devem desrespeitar a integridade territorial ou o direito internacional.

A proteção aos direitos humanos também foi um ponto central da nota. A UE exigiu a libertação incondicional de presos políticos e informou que autoridades consulares dos Estados-membros estão agindo de forma coordenada para proteger cidadãos europeus na Venezuela, incluindo aqueles que foram detidos ilegalmente.

Articulação internacional por solução inclusiva

A estratégia do bloco europeu foca na busca por uma solução que seja, simultaneamente, democrática e inclusiva. A diplomacia europeia ressalta que o apoio externo deve servir como base para o diálogo interno, evitando medidas que agravem o conflito.

Kaja Kallas reafirmou, por meio das redes sociais, que a prioridade imediata é garantir a estabilidade para que a população possa encontrar um caminho institucional. O posicionamento da UE ocorre em um momento de intensa pressão internacional sobre a liderança interina em Caracas.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.