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Quem é Cilia Flores, esposa de Maduro criticada por 'mandar' na Venezuela

Casada com o presidente desde 2013, a primeira-dama é alvo de críticas de aliados por influenciar na política

Da redação
DA REDAÇÃO

29/05/2023 • 16:23 • Atualizado em 29/05/2023 • 20:18

Cilia flores, a primeira-dama da Venezuela, com o presidente Nicolás Maduro

Cilia flores, a primeira-dama da Venezuela, com o presidente Nicolás Maduro

Ueslei Marcelino/Reuters

Casada com Nicolás Maduro desde 2013, a primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores, foi capturada ao lado do marido em uma ofensiva militar dos Estados Unidos em Caracas. Os norte-americanos bombardearam alvos na capital venezuelana e retiraram o casal do país.

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Primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela e principal advogada de defesa de Hugo Chávez, Cilia é descrita por aliados do governo como alguém de "personalidade forte".

A influência que Cilia exerce sobre o líder da Venezuela é alvo de críticas, inclusive entre aliados de Maduro. Na avaliação deles, o chefe do Executivo acataria orientações e critérios da esposa "mais do que deveria".

Em declarações públicas, Maduro já destacou o ativismo político de Cilia. Pouco depois do matrimônio, em 15 de julho de 2013, ele afirmou ter se unido a uma militante histórica da esquerda, a quem costuma se referir como “primeira combatente”.

Não me casei com uma dona de casa submissa, disse na ocasião.

Embora o matrimônio tenha sido oficializado há pouco mais de dez anos, o casal vive junto há quase três décadas. Durante a campanha eleitoral de 2012, Maduro prometeu regularizar a união após a vitória no pleito, que ocorreu em abril de 2013.

Trajetória de Cilia Flores:

  • Formada em direito, Cilia Flores exerceu a advocacia por cerca de dez anos;
  • Tornou-se peça-chave da equipe de defesa de Hugo Chávez e participou do processo que resultou na libertação do então tenente-coronel, em 1994. Chávez havia sido preso dois anos antes por tentativa de golpe de Estado;
  • Cilia foi deputada da Assembleia Nacional entre 2000 e 2012 e voltou ao cargo em 2016;
  • Entre 2006 e 2011, tornou-se a primeira mulher a presidir o Legislativo venezuelano;
  • Também ocupou o cargo de procuradora-geral da República entre 2012 e 2013;
  • Desde 2013, com o casamento com Maduro, passou a exercer o papel de primeira-dama.

Aos 66 anos, Cilia Adela Gavidia Flores de Maduro é deputada da Assembleia Nacional da Venezuela eleita por seu estado natal, Cojedes, desde 2016.

Graduada pela Universidade Santa María, em Caracas, com especialização em direito penal e trabalhista, ela ingressou em 1993 no Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), grupo cívico-militar de esquerda fundado por Hugo Chávez em 1982.

A advogada também integrou a equipe de defesa que obteve a libertação de Chávez em 1994, após a tentativa de golpe de estado liderada pelo então tenente-coronel.

Com Chávez já na Presidência, Cilia fez parte do Comando Tático para a Revolução, organização ligada ao governo que planejou o uso de forças paramilitares para defender o presidente a tentativa de golpe de 2002.

Durante seu mandato como deputada, foi acusada de nepotismo, sob a alegação de empregar parentes em gabinetes da Assembleia Nacional. Cilia afirmou à época que as denúncias faziam parte de uma campanha de difamação.

Em 2015, Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas, afilhado e um sobrinho da primeira-dama, foram presos no Haiti acusados de tentar transportar 800kg de cocaína aos Estados Unidos. Sete anos depois, os dois foram liberados após acordo entre o governo da Venezuela e autoridades norte-americanas.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.